HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2023
Paciente L.A., masculino, 50 anos de idade, com queixa de tosse com expectoração clara de longa data. Há 2 anos em piora progressiva, hoje com mMRC 3 e aparecimento de edema de membros inferiores. Tabagista de 40 anos/maço. Ao chegar ao pronto atendimento, está com frequência respiratória de 20 incursões/minuto. Tem aumento de diâmetro anteroposterior do tórax, percussão com hipertimpanismo, diminuição global dos murmúrios vesiculares e roncos difusos à ausculta pulmonar. Estase jugular, hepatomegalia a 3cm do rebordo costal direito e edema depressível 2+/4+ de ambos os membros inferiores. Sem demais alterações significativas ao exame físico. Gasometria arterial: pH 7,36; pO2 52 mmHg; pCO2 47 mmHg; HCO3 27 mmol/L. Dos itens abaixo, qual o tratamento é o que tem maior impacto na mortalidade a longo prazo para esse paciente? (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA - .J BRAS PNEUMOL. 2022;48(5):E20220179)
DPOC com hipoxemia crônica grave → oxigenioterapia domiciliar prolongada ↓ mortalidade.
Em pacientes com DPOC e hipoxemia crônica grave (pO2 < 55 mmHg ou pO2 < 60 mmHg com sinais de cor pulmonale), a oxigenioterapia domiciliar prolongada por mais de 15 horas/dia é o tratamento que comprovadamente reduz a mortalidade a longo prazo, além da cessação do tabagismo.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença respiratória progressiva e irreversível, caracterizada por limitação crônica do fluxo aéreo, geralmente causada pela exposição prolongada a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. Afeta milhões de pessoas globalmente, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade. O paciente do caso apresenta um quadro avançado de DPOC, com sinais de cor pulmonale (estase jugular, hepatomegalia, edema de MMII) e hipoxemia crônica (pO2 52 mmHg). A fisiopatologia da DPOC envolve inflamação crônica das vias aéreas e parênquima pulmonar, levando a bronquiolite obstrutiva e enfisema. Isso resulta em aprisionamento aéreo, hiperinsuflação e troca gasosa prejudicada, culminando em hipoxemia e, em casos avançados, hipercapnia. O diagnóstico é confirmado pela espirometria (VEF1/CVF < 0,7 pós-broncodilatador). A hipoxemia crônica é um marcador de gravidade e está associada a pior prognóstico. O tratamento da DPOC visa aliviar sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a qualidade de vida. No entanto, poucas intervenções comprovadamente impactam a mortalidade a longo prazo. A cessação do tabagismo é a medida mais eficaz para retardar a progressão da doença. Em pacientes com hipoxemia crônica grave (PaO2 < 55 mmHg ou < 60 mmHg com sinais de cor pulmonale ou policitemia), a oxigenioterapia domiciliar prolongada (ODP) por pelo menos 15 horas/dia demonstrou reduzir significativamente a mortalidade, sendo um pilar fundamental no manejo desses pacientes. Outras terapias incluem broncodilatadores (beta-agonistas e anticolinérgicos de longa ação) e corticosteroides inalatórios em casos selecionados.
A oxigenioterapia domiciliar prolongada é indicada para pacientes com DPOC estável e hipoxemia crônica grave, definida por PaO2 < 55 mmHg ou saturação de O2 < 88% em ar ambiente, ou PaO2 entre 55-59 mmHg com evidência de cor pulmonale ou policitemia.
A cessação do tabagismo é a medida mais importante para retardar a progressão da DPOC e reduzir a mortalidade em qualquer estágio da doença, sendo fundamental em todos os pacientes tabagistas.
A hipoxemia crônica leva à vasoconstrição pulmonar, hipertensão pulmonar e, eventualmente, cor pulmonale (insuficiência cardíaca direita), aumentando significativamente a morbidade e mortalidade. A oxigenioterapia corrige essa hipoxemia, melhorando a sobrevida.
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