DPOC: Diagnóstico Espirométrico e Sinais Clínicos Chave

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher com 64 anos de idade é encaminhada para investigação diagnóstica de quadro de tosse seca e dispneia ao realizar esforços. A paciente é portadora, há 3 décadas, de hipertensão arterial sistêmica, sendo tabagista e etilista social. Seu exame físico revela IMC = 33 kg/m², eupneica em repouso, mas com acrocianose (+/4+) e murmúrio vesicular reduzido difusamente, sendo auscultados sibilos esparsos em todo tórax. O ritmo cardíaco é regular, em 2 tempos, com 2.ª bulha hiperfonética em foco pulmonar. Há turgência de veia jugular quando a cabeceira da maca é elevada a 45 graus, além de edema de membros inferiores (2+/4+). A paciente traz à consulta uma espirometria realizada recentemente que evidencia um volume expiratório forçado no 1.º segundo (VEF1) reduzido (68 % do previsto com base em sua idade e altura), sendo a relação entre esse parâmetro e a capacidade vital forçada (VEF1/CVF) inferior a 70 %; não há elevação de 20% ou aumento superior a 200 mL em nenhum desses dois parâmetros espirométricos após a administração de broncodilatador. Com base no caso clínico e no resultado da espirometria, qual é o diagnóstico da paciente?

Alternativas

  1. A) Asma persistente moderada.
  2. B) Doença pulmonar obstrutiva crônica.
  3. C) Pneumopatia restritiva pela obesidade.
  4. D) Derrame pleural por insuficiência cardíaca.

Pérola Clínica

Tabagista com dispneia, tosse crônica e espirometria com VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador → DPOC.

Resumo-Chave

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo, geralmente progressiva, associada à exposição a partículas ou gases nocivos, como o tabagismo. O diagnóstico é confirmado pela espirometria com relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva e irreversível, caracterizada pela limitação do fluxo aéreo, principalmente causada pela exposição crônica a irritantes, sendo o tabagismo o fator de risco mais importante. A epidemiologia mostra alta prevalência em idosos com histórico de tabagismo, impactando significativamente a qualidade de vida e a mortalidade. A fisiopatologia da DPOC envolve inflamação crônica das vias aéreas, destruição do parênquima pulmonar (enfisema) e remodelamento das pequenas vias aéreas (bronquiolite obstrutiva). Clinicamente, os pacientes apresentam tosse crônica, dispneia progressiva e produção de escarro. O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que demonstra obstrução persistente ao fluxo aéreo (VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70) e ausência de reversibilidade significativa. Sinais como acrocianose, turgência jugular e edema de membros inferiores podem indicar complicações como hipertensão pulmonar e cor pulmonale. O tratamento da DPOC foca em aliviar sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a tolerância ao exercício. Inclui cessação do tabagismo, broncodilatadores (beta-2 agonistas e anticolinérgicos de longa ação), corticosteroides inalatórios em casos selecionados e reabilitação pulmonar. O prognóstico está diretamente relacionado à gravidade da obstrução e à presença de comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios espirométricos para o diagnóstico de DPOC?

O diagnóstico de DPOC é confirmado pela espirometria que revela uma relação VEF1/CVF pós-broncodilatador inferior a 0,70, indicando obstrução persistente ao fluxo aéreo.

Como o tabagismo contribui para o desenvolvimento da DPOC?

O tabagismo é o principal fator de risco para DPOC, causando inflamação crônica nas vias aéreas e parênquima pulmonar, levando à destruição alveolar (enfisema) e remodelamento das pequenas vias aéreas (bronquiolite obstrutiva).

Quais sinais clínicos sugerem DPOC avançada e suas complicações?

Sinais como acrocianose, turgência jugular, edema de membros inferiores e hiperfonese de B2 em foco pulmonar sugerem DPOC avançada com desenvolvimento de hipertensão pulmonar e cor pulmonale (insuficiência cardíaca direita).

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