PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021
Sr. Eurípedes, 62 anos, retorna com resultado de exames solicitados na consulta anterior. Ele apresenta tosse crônica há alguns anos e dispneia aos esforços, que vem piorando, gradualmente, com o passar tempo. Diz que sente falta de ar ao andar rápido e subir ladeiras. Também caminha mais devagar do que pessoas da sua faixa etária devido à dispneia. Nega episódios de pneumonia ou piora aguda do quadro no último ano. É tabagista de 1 carteira por dia há 40 anos. Nega uso de medicamentos e doenças crônicas. Ausculta pulmonar sem ruídos adventícios e frequência respiratória de 20 mrpm. Exames: - Hemograma com hemoglobina 16,1 g/dL e hematócrito 48%. - Radiografia de tórax sem alterações. - Espirometria com CVF/FEV1 65% do previsto para a idade, FEV1 67% do previsto para a idade pós broncodilatador ( sem resposta ao broncodilatador). 11 Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade - SBMFC - TEMFC - Edital n.º 27. Além de abordar o tabagismo e de indicar vacina antipneumocócica, a conduta inicial mais adequada para o tratamento farmacológico do Sr. João Carlos seria
DPOC sintomática (GOLD B) → broncodilatador de longa ação (LABA ou LAMA) + SABA para resgate.
Paciente com DPOC sintomático (GOLD B, FEV1 50-80%) deve iniciar tratamento com um broncodilatador de longa ação (LABA ou LAMA) para controle contínuo dos sintomas. O salbutamol, um SABA, é usado apenas para alívio de sintomas agudos.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença respiratória progressiva e prevenível, caracterizada por limitação do fluxo aéreo que não é totalmente reversível. O tabagismo é o principal fator de risco, como evidenciado no caso do Sr. Eurípedes. A DPOC é uma das principais causas de morbimortalidade global, e seu manejo adequado é crucial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A fisiopatologia da DPOC envolve inflamação crônica das vias aéreas e parênquima pulmonar, levando à destruição alveolar (enfisema) e remodelamento das pequenas vias aéreas (bronquiolite obstrutiva). O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que mostra uma relação FEV1/CVF pós-broncodilatador < 0,70. A classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) ajuda a guiar o tratamento com base nos sintomas e risco de exacerbações. O tratamento farmacológico da DPOC visa reduzir os sintomas, diminuir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a tolerância ao exercício. Para pacientes sintomáticos (como o Sr. Eurípedes, provavelmente GOLD B), a terapia inicial consiste em um broncodilatador de longa ação (LABA ou LAMA). A combinação de LABA/LAMA pode ser considerada se os sintomas persistirem. Corticoides inalatórios são reservados para pacientes com exacerbações frequentes. Cessação do tabagismo e vacinação são medidas essenciais.
A espirometria confirma a DPOC pela presença de obstrução persistente ao fluxo aéreo, caracterizada por uma relação FEV1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador.
SABA (Salbutamol) são broncodilatadores de curta ação, usados para alívio rápido da dispneia. LABA (Formoterol, Salmeterol) são de longa ação, usados diariamente para controle contínuo dos sintomas e melhora da função pulmonar.
Corticoides inalatórios (ICS) são geralmente indicados para pacientes com DPOC que apresentam exacerbações frequentes (≥2 moderadas ou ≥1 grave por ano) ou que têm eosinofilia sanguínea elevada, em combinação com broncodilatadores.
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