USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 63 anos de idade, procura atendimento ambulatorial por dispneia. Ele não tem antecedentes relevantes, mas conta que, há 8 meses, começou a apresentar dispneia aos grandes esforços, mas conseguia realizar atividades habituais. Há 2 meses, começou a interromper sua caminhada diária até a padaria por dispneia e tosse. Há 1 mês, teve crise de dispneia e tosse produtiva, quando ficou internado por 4 dias no pronto-socorro. Ele é tabagista com carga de 46 anos-maço. Ao exame clínico, apresentou sinais vitais normais e sibilos expiratórios difusos, sem sinais de desconforto respiratório e sem outras anormalidades. Os dados da prova de função pulmonar estão apresentados a seguir:O hemograma identificou 320 eosinófilos/mm³, IgE 35 UI/mL (valor de referência < 100 UI/mL).Assinale a alternativa correta sobre o diagnóstico e o tratamento do paciente neste momento.
Tabagista > 40 anos com dispneia progressiva e obstrução fixa na espirometria = DPOC. Tratamento GOLD.
O paciente é um tabagista pesado com dispneia progressiva e histórico de exacerbações, o que é altamente sugestivo de DPOC. A espirometria é crucial para o diagnóstico, e o tratamento deve seguir as diretrizes GOLD, que incluem broncodilatadores de longa ação e, em casos selecionados, corticosteroides inalatórios.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo que não é totalmente reversível. É causada principalmente pela exposição significativa a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o fator de risco mais importante. O paciente do caso, com 63 anos e uma carga tabágica de 46 anos-maço, apresenta um quadro clínico clássico de DPOC, com dispneia progressiva e exacerbações. O diagnóstico de DPOC é confirmado pela espirometria, que demonstra uma relação VEF1/CVF pós-broncodilatador inferior a 0,70. A presença de sibilos expiratórios difusos é comum na DPOC, assim como a tosse produtiva. A avaliação de eosinófilos e IgE é importante para diferenciar de asma ou considerar o componente eosinofílico na DPOC, que pode influenciar a resposta aos corticosteroides inalatórios. Neste caso, os níveis não sugerem um componente alérgico significativo. O tratamento da DPOC é guiado pelas diretrizes GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), que visam reduzir sintomas e o risco de exacerbações. A terapia farmacológica inclui broncodilatadores de longa ação (LABA - beta-agonistas de longa ação e LAMA - antimuscarínicos de longa ação) e, em pacientes selecionados com exacerbações frequentes ou eosinofilia, corticosteroides inalatórios (CI). A combinação de LABA/LAMA/CI é uma opção para pacientes com sintomas persistentes e exacerbações apesar da terapia dupla. A alternativa D, com olodaterol (LABA), budesonida (CI) e tiotrópio (LAMA), representa uma terapia tripla adequada para um paciente com histórico de exacerbações.
O diagnóstico de DPOC é confirmado por espirometria que mostra obstrução persistente ao fluxo aéreo, definida por uma relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70.
Corticosteroides inalatórios (CI) são indicados na DPOC para pacientes com exacerbações frequentes (≥ 2 moderadas ou ≥ 1 grave por ano) ou com eosinofilia sanguínea (> 300 células/µL), geralmente em combinação com broncodilatadores de longa ação.
A DPOC geralmente se manifesta em tabagistas ou expostos a biomassa, com início após os 40 anos e obstrução fixa. A asma tem início mais precoce, é reversível, e frequentemente associada a atopia.
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