CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021
Mulher, 52 anos de idade, dá entrada no Pronto Socorro queixando-se de dispneia há quatro dias, associada à tosse com secreção amarelada. Já tem tosse com secreção hialina, há pelo menos um ano, que associa ao uso de cigarro. É tabagista de 40 anos/maço e portadora de hipertensão arterial sistêmica, em uso de losartana. Ao exame físico, apresenta PA: 150x90mmHg, SatO₂: 93%, FC: 89bpm, FR: 14irpm. À ausculta respiratória há sibilos à expiração forçada e raros crépitos em bases.Identifique o achado espirométrico mais provável de ser encontrado nessa paciente.
DPOC (Tabagismo + Tosse crônica) → Padrão obstrutivo na espirometria (↓VEF1 e ↓VEF1/CVF).
A paciente apresenta clínica clássica de DPOC exacerbada. O achado funcional definidor da obstrução é a redução do VEF1 e da relação VEF1/CVF, refletindo a limitação ao fluxo aéreo.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação ao fluxo aéreo. O caso clínico descreve uma paciente com alta carga tabágica e sintomas de bronquite crônica (tosse produtiva há mais de um ano) que evolui com dispneia progressiva. O exame físico com sibilos expiratórios e redução da saturação de oxigênio reforça a hipótese de uma exacerbação de base obstrutiva. Para o residente, é crucial dominar a interpretação da espirometria. A redução do VEF1 é o marco da obstrução e reflete o estreitamento das vias aéreas e o aprisionamento de ar. O manejo envolve a cessação do tabagismo, uso de broncodilatadores de longa ação (LAMA/LABA) e, em casos selecionados, corticoides inalatórios. A identificação precoce através da espirometria em fumantes sintomáticos é essencial para mudar a história natural da doença e reduzir a perda acelerada da função pulmonar.
O padrão obstrutivo é definido funcionalmente pela redução da relação entre o Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) e a Capacidade Vital Forçada (CVF). De acordo com os critérios da GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), uma relação VEF1/CVF pós-broncodilatador menor que 0,70 confirma a presença de limitação persistente ao fluxo aéreo. Fisiopatologicamente, isso ocorre devido ao aumento da resistência das vias aéreas (inflamação, secreção, broncoconstrição) ou à perda da retração elástica do parênquima pulmonar (enfisema), dificultando a expulsão rápida do ar durante a expiração forçada.
O VEF1 (Volume Expiratório Forçado no 1º segundo) é o parâmetro mais importante para graduar a gravidade da obstrução na DPOC após o diagnóstico ser estabelecido pela relação VEF1/CVF. Ele é expresso como uma porcentagem do valor previsto para a idade, altura e sexo do paciente. A classificação GOLD utiliza o VEF1 para dividir os pacientes em estágios: GOLD 1 (Leve: VEF1 ≥ 80%), GOLD 2 (Moderado: 50% ≤ VEF1 < 80%), GOLD 3 (Grave: 30% ≤ VEF1 < 50%) e GOLD 4 (Muito Grave: VEF1 < 30%). Além da gravidade, o VEF1 é um marcador prognóstico importante e auxilia na decisão terapêutica farmacológica.
A principal distinção espirométrica reside na reversibilidade da obstrução após o uso de broncodilatador (BD). Na asma, a obstrução é tipicamente reversível, definida por um aumento no VEF1 > 12% e > 200 ml em relação ao valor pré-BD. Na DPOC, a limitação ao fluxo aéreo é persistente e não totalmente reversível; embora possa haver uma melhora parcial nos volumes, a relação VEF1/CVF permanece abaixo de 0,70. Clinicamente, a história de tabagismo pesado (como os 40 anos/maço da paciente) e a progressão lenta dos sintomas em idade mais avançada corroboram fortemente o diagnóstico de DPOC em detrimento da asma.
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