DPOC Grave: Tratamento com Broncodilatadores de Longa Ação

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Em consulta médica, uma mulher de 70 anos, tabagista por 40 anos (20 cigarros/dia) refere história de tosse seca há pelo menos 8 anos. Há 6 anos, percebeu dispneia, inicialmente associada a grandes esforços (por exemplo: subir escadas rapidamente), mas que há 3 meses vem atrapalhando-a em suas atividades cotidianas como tomar banho e pentear os cabelos. Ao exame físico, observa-se cianose de extremidades digitais. O exame de espirometria mostrou: distúrbio ventilatório obstrutivo com prova broncodilatadora negativa. Considerando o diagnóstico e o seu estadiamento, qual a melhor conduta terapêutica para o caso?

Alternativas

  1. A) Corticoide inalatório continuamente associado a beta-2-agonista de curta duração nas crises de dispneia.
  2. B) Brometo de ipatrópio associado a beta-2-agonista de longa duração continuamente. 
  3. C) Beta-2-agonista de curta duração nas crises de dispneia.
  4. D) Beta-2-agonista de curta duração continuamente.

Pérola Clínica

DPOC grave (GOLD C/D) com dispneia → broncodilatador de longa ação (LABA/LAMA) contínuo.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de DPOC grave (tabagista, dispneia progressiva, distúrbio obstrutivo não reversível). O tratamento de escolha para DPOC moderada a grave, especialmente com dispneia, inclui broncodilatadores de longa duração, como LABAs e/ou LAMAs, de forma contínua.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e irreversível, frequentemente associada ao tabagismo, caracterizada por limitação do fluxo aéreo. A dispneia é um sintoma cardinal, que progride com a doença, impactando significativamente a qualidade de vida. O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que revela um distúrbio ventilatório obstrutivo não totalmente reversível após broncodilatador. O tratamento farmacológico da DPOC visa aliviar sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a tolerância ao exercício. Broncodilatadores de longa duração (LABA - agonistas beta-2 de longa ação e LAMA - antagonistas muscarínicos de longa ação) são a base do tratamento contínuo para pacientes sintomáticos, independentemente do grau de obstrução. Eles atuam relaxando a musculatura lisa das vias aéreas e melhorando o fluxo de ar. Para pacientes com DPOC moderada a grave, especialmente aqueles com dispneia significativa (como no caso da paciente), a combinação de um LABA e um LAMA é frequentemente a estratégia mais eficaz. O brometo de ipatrópio é um SAMA (antagonista muscarínico de curta ação), mas a questão se refere a um LAMA (como tiotrópio ou glicopirrônio) ou a combinação com LABA. A alternativa B, "Brometo de ipatrópio associado a beta-2-agonista de longa duração continuamente", embora o ipatrópio seja de curta ação, a intenção é usar um anticolinérgico e um beta-2 de longa duração. Corticoides inalatórios são reservados para pacientes com exacerbações frequentes ou características de asma/eosinofilia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais pilares do tratamento farmacológico da DPOC?

Os pilares incluem broncodilatadores de longa duração (LABA e/ou LAMA) para controle dos sintomas, e em casos selecionados, corticoides inalatórios (CI) ou inibidores da fosfodiesterase-4.

Quando é indicado o uso de corticoides inalatórios na DPOC?

CIs são geralmente indicados em pacientes com DPOC moderada a grave que apresentam exacerbações frequentes, especialmente se houver eosinofilia sanguínea elevada, ou em combinação com LABA/LAMA.

Qual a importância da prova broncodilatadora na DPOC?

A prova broncodilatadora negativa confirma a não reversibilidade da obstrução, característica da DPOC, e ajuda a diferenciar de outras condições como a asma.

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