DPOC e Cor Pulmonale: Diagnóstico e Complicações

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 62 anos de idade, está em seguimento ambulatorial para investigação de dispneia que se iniciou há dois anos. Refere dispneia aos esforços habituais, como caminhar no plano, tendo que parar algumas vezes para recuperar o fôlego, a qual vem acompanhada de tosse seca intermitente. Além disso, notou o surgimento de edema de membros inferiores nos últimos dois meses. Nega dispneia paroxística noturna, ortopneia, expectoração ou outros sintomas. Tem história prévia de obesidade grau 1 (IMC: 32,3kg/m²) e hipertensão arterial sistêmica, estando em uso de enalapril 10mg duas vezes ao dia. Além disso, relatou ter sido tabagista, com carga tabágica estimada de 70 maços/ano, tendo parado de fumar há dois meses. Ao exame, apresentava discreta estase de jugulares a 45°, redução global do murmúrio vesicular à ausculta torácica e edema em pés, tornozelos e pernas bilateralmente, indolor, com sinal de Godet (cacifo) positivo e sem alterações de coloração ou temperatura da pele. Sem outras alterações. Foi solicitada uma espirometria e uma radiografia de tórax para investigação do quadro, cujos resultados podem ser vistos a seguir: Considerando os achados clínicos e espirométricos, qual é o diagnóstico de base do paciente e a complicação que justifica o quadro clínico apresentado neste momento?

Alternativas

  1. A) Disfunção ventricular esquerda com disfunção ventricular direita secundária.
  2. B) Hipoventilação da obesidade e hipertensão pulmonar secundária.
  3. C) Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e cor pulmonale secundário.
  4. D) Síndrome de sobreposição de asma e DPOC e hipertensão secundária.

Pérola Clínica

DPOC + sinais de IC direita (edema, estase jugular) → Cor pulmonale secundário à hipertensão pulmonar.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de DPOC avançada, evidenciado pela história de tabagismo intenso e dispneia progressiva. A presença de estase jugular e edema de membros inferiores sugere insuficiência cardíaca direita, que, nesse contexto, é uma complicação comum da hipertensão pulmonar secundária à DPOC, conhecida como cor pulmonale.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença respiratória comum, progressiva e prevenível, caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo, geralmente causada pela exposição significativa a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo a principal causa. Afeta milhões de pessoas globalmente e é uma das principais causas de morbidade e mortalidade, com impacto substancial na qualidade de vida e nos custos de saúde. A suspeita clínica surge em pacientes tabagistas ou ex-tabagistas com dispneia, tosse crônica e expectoração. O diagnóstico da DPOC é confirmado pela espirometria, que demonstra um VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. A fisiopatologia envolve inflamação crônica das vias aéreas e parênquima pulmonar, levando a bronquiolite obstrutiva e enfisema, que causam aprisionamento aéreo e troca gasosa prejudicada. A hipoxemia crônica resultante é um fator chave para o desenvolvimento de hipertensão pulmonar, que por sua vez sobrecarrega o ventrículo direito. O cor pulmonale é a hipertrofia e/ou dilatação do ventrículo direito resultante de doença que afeta a estrutura e/ou função pulmonar. Na DPOC, a hipertensão pulmonar crônica leva à falência do ventrículo direito, manifestada por sinais de insuficiência cardíaca direita, como edema de membros inferiores e estase jugular. O tratamento visa otimizar a função pulmonar, reduzir a hipoxemia (oxigenoterapia), e manejar a insuficiência cardíaca direita, com diuréticos e, em alguns casos, vasodilatadores pulmonares, embora o foco principal seja o tratamento da DPOC subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do cor pulmonale em pacientes com DPOC?

Os sinais e sintomas incluem dispneia progressiva, tosse, fadiga, edema de membros inferiores, estase jugular, hepatomegalia e, em casos avançados, cianose e síncope.

Qual o mecanismo fisiopatológico que leva ao cor pulmonale na DPOC?

A hipoxemia crônica na DPOC causa vasoconstrição pulmonar, levando à hipertensão pulmonar. O aumento da resistência vascular pulmonar sobrecarrega o ventrículo direito, resultando em hipertrofia e dilatação, culminando em insuficiência cardíaca direita.

Como diferenciar cor pulmonale de outras causas de insuficiência cardíaca direita?

A diferenciação envolve a história clínica (doença pulmonar prévia), exames complementares como espirometria, radiografia/tomografia de tórax e ecocardiograma, que pode mostrar dilatação e disfunção do ventrículo direito com pressões pulmonares elevadas, mas função ventricular esquerda preservada.

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