DPOC em Tabagistas: Rastreamento e Diagnóstico Precoce

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Mauro tem 55 anos, é professor, casado com José, e tem 2 filhos adolescentes. Procura atendimento na Unidade de Saúde próxima de casa, devido a tosse produtiva recorrente há alguns meses. Atualmente, com a tosse, tem pigarro matinal e falta de ar “sinto-me cansado quando subo escadas ou preciso andar mais rápido”. Nega febre, nega sangue e está acima do peso. Ele faz tratamento para ansiedade com Escitalopram 20 mg ao dia, já há 6 meses, sem outras comorbidades ou medicação. No geral, sente-se feliz. Bebe vinho nos finais de semana e fuma desde os 17 anos, pelo menos 1 carteira ao dia. Considerando o caso, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A tosse crônica e dispneia em um tabagista como Mauro, ao menos 38 maços (pacotes que contêm as carteiras) /ano, levanta como principal hipótese diagnóstica a DPOC.
  2. B) A principal suspeita é causa psicogênica, que geralmente se apresenta com episódios súbitos associados a qua-dros de ansiedade, pânico ou depressão, em indivíduos sem causas orgânicas evidentes.
  3. C) O principal exame complementar a ser solicitado, neste momento, é o eletrocardiograma, para descartar causa cardiogênica.
  4. D) Deve-se prescrever corticoide inalatório imediatamente, repetir em intervalos de 10 minutos, por 3 vezes, e reavaliar o paciente após 30 minutos.
  5. E) Homens tabagistas com mais de 45 anos devem ser rastreados rotineiramente com espirometria e radiografia de tórax.

Pérola Clínica

Tabagista > 45 anos com sintomas respiratórios → rastreamento com espirometria e radiografia de tórax.

Resumo-Chave

Em tabagistas com mais de 45 anos e sintomas respiratórios crônicos como tosse e dispneia, é mandatório o rastreamento com espirometria para diagnóstico de DPOC e radiografia de tórax para excluir outras patologias.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva e debilitante, fortemente associada ao tabagismo. Caracteriza-se por uma limitação do fluxo aéreo que não é totalmente reversível, geralmente progressiva e associada a uma resposta inflamatória anormal das vias aéreas e do parênquima pulmonar a partículas ou gases nocivos, sendo o fumo de cigarro a principal causa. Os sintomas clássicos incluem tosse crônica, produção de escarro e dispneia, que se agravam com o tempo. O caso de Mauro, um tabagista de longa data (calculando 38 maços-ano: 1 carteira/dia * 38 anos = 38 maços-ano), com tosse produtiva e dispneia aos esforços, é altamente sugestivo de DPOC. É crucial que tabagistas com mais de 40-45 anos, especialmente aqueles com sintomas respiratórios, sejam rastreados ativamente para a doença. O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar intervenções que possam retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. O rastreamento e diagnóstico da DPOC baseiam-se principalmente na espirometria, que é o padrão-ouro para confirmar a obstrução do fluxo aéreo. A radiografia de tórax, embora não diagnóstica para DPOC, é essencial para excluir outras patologias pulmonares que possam causar sintomas semelhantes. A cessação do tabagismo é a intervenção mais eficaz para alterar o curso natural da doença. O tratamento inclui broncodilatadores, reabilitação pulmonar e, em casos avançados, oxigenoterapia e cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas que sugerem DPOC em um tabagista?

Os principais sintomas que sugerem DPOC em um tabagista incluem tosse crônica (muitas vezes produtiva, com pigarro matinal), dispneia progressiva (inicialmente aos esforços, depois em repouso) e sibilância.

Por que a espirometria é o exame mais importante para o diagnóstico de DPOC?

A espirometria é o padrão-ouro para o diagnóstico de DPOC porque mede a função pulmonar e detecta a obstrução do fluxo aéreo não totalmente reversível, caracterizada por uma relação VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador.

Qual o papel da radiografia de tórax no rastreamento e diagnóstico da DPOC?

A radiografia de tórax não diagnostica DPOC, mas é útil para excluir outras condições pulmonares que podem mimetizar seus sintomas, como câncer de pulmão, tuberculose ou insuficiência cardíaca, e pode mostrar sinais de hiperinsuflação ou enfisema.

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