DPOC com Eosinofilia: Escolha do Tratamento Ideal

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

Em consulta regular em unidade de saúde, você atende uma pessoa de 64 anos, tabagista, com quadro de cansaço após breves caminhadas curtas, de quase 100 metros, e que já foi internada uma vez neste ano por causa de dispneia. Seu último hemograma estava com eritograma e plaquetas sem alterações, porém com eosinofilia (> 300). Com estas informações, você considera que o esquema medicamentoso mais apropriado para controle deste quadro é:

Alternativas

  1. A) Fenoterol + fluticasona
  2. B) Salmeterol + ipatrópio
  3. C) Formoterol + budesonida 
  4. D) Salbutamol + tiotrópio

Pérola Clínica

DPOC com história de exacerbações e eosinofilia (>300) → considerar LABA/ICS (Formoterol + Budesonida) para controle.

Resumo-Chave

Em pacientes com DPOC e história de exacerbações, a presença de eosinofilia no sangue periférico (>300 células/µL) é um biomarcador que sugere uma resposta favorável à terapia com corticosteroides inalatórios (ICS). A combinação de um broncodilatador de longa ação (LABA) com um ICS, como formoterol e budesonida, é uma opção terapêutica eficaz para reduzir exacerbações e melhorar a qualidade de vida neste perfil de paciente.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença respiratória comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido a anormalidades das vias aéreas e/ou alveolares, geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo a principal causa. A DPOC é uma das principais causas de morbimortalidade global, e seu manejo visa reduzir sintomas, diminuir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a qualidade de vida. A fisiopatologia da DPOC envolve inflamação crônica das vias aéreas, remodelamento e destruição do parênquima pulmonar. O diagnóstico é confirmado pela espirometria pós-broncodilatador. A presença de eosinofilia sanguínea em pacientes com DPOC, especialmente aqueles com histórico de exacerbações, tem sido reconhecida como um preditor de boa resposta aos corticosteroides inalatórios (ICS), sugerindo um componente inflamatório eosinofílico subjacente. O tratamento farmacológico da DPOC é escalonado de acordo com a gravidade dos sintomas e o risco de exacerbações. Para pacientes com histórico de exacerbações e eosinofilia sanguínea (>300 células/µL), a combinação de um agonista beta-2 de longa ação (LABA) com um corticosteroide inalatório (ICS), como formoterol e budesonida, é uma estratégia terapêutica eficaz. Essa abordagem visa controlar a inflamação e promover a broncodilatação, melhorando o controle da doença e reduzindo o risco de futuras exacerbações.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da eosinofilia no manejo da DPOC?

A eosinofilia sanguínea (>300 células/µL) em pacientes com DPOC é um biomarcador que indica maior probabilidade de resposta aos corticosteroides inalatórios (ICS) na redução de exacerbações. É um critério importante nas diretrizes GOLD para guiar a escolha terapêutica, especialmente em pacientes com histórico de exacerbações.

Quando se deve considerar a terapia combinada LABA/ICS na DPOC?

A terapia combinada LABA/ICS é recomendada para pacientes com DPOC que apresentam sintomas persistentes apesar do uso de broncodilatadores de longa ação, ou para aqueles com histórico de exacerbações, especialmente se houver eosinofilia sanguínea elevada.

Quais são os principais componentes do tratamento da DPOC?

O tratamento da DPOC inclui cessação do tabagismo, vacinação, reabilitação pulmonar e farmacoterapia. Esta última se baseia principalmente em broncodilatadores de longa ação (LABA e/ou LAMA) e, em casos selecionados (exacerbações frequentes, eosinofilia), corticosteroides inalatórios (ICS).

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