DPOC Grave: Tratamento Inalatório e Manejo Clínico

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 72 anos queixa-se de dispneia para caminhar quarteirão no plano. Nega dor torácica, ortopneia ou dispneia paroxística noturna. Relata tosse oligoprodutiva com escarro claro há mais de 1 ano, com piora pela manhã após acordar. Apresentou asma brônquica durante a infância até os 12 anos. Fumou 1 maço ao dia dos 15 aos 53 anos. No último ano, apresentou 1 episódio de infecção do trato respiratório inferior tratada com antibioticoterapia. Ao exame, PA: 130x80mmHg, FR: 16ipm, SpO2 93%. O exame respiratório revela aumento do tempo expiratório; ausculta apresenta crepitações teleinspiratórias nas bases pulmonares, sibilos expiratórios polifônicos difusos. Realizou a seguinte espirometria: Espirometria: VEF1/CVF 0,68 VEFI 42% CVF 56%. Não houve resposta ao broncodilatador. Assinale a alternativa que apresenta o tratamento inalatório MAIS adequado para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Salbutamol ou ipratrópio sob demanda.
  2. B) Beclometasona, formoterol e glicopirrônio.
  3. C) Beclometasona em uso continuo e ipratrópio sob demanda.
  4. D) Tiotrópio em uso contínuo e salbutamol sob demanda.

Pérola Clínica

DPOC (tabagismo + VEF1/CVF < 0.7 pós-BD) → LAMA como tiotrópio para manutenção + SABA para resgate.

Resumo-Chave

O paciente tem histórico de tabagismo pesado, tosse crônica, dispneia e espirometria com VEF1/CVF < 0.7 e VEF1 42% do previsto, sem resposta ao broncodilatador, confirmando o diagnóstico de DPOC grave (GOLD D). O tratamento inalatório mais adequado para DPOC grave inclui um broncodilatador de longa ação (LAMA, como tiotrópio) em uso contínuo e um broncodilatador de curta ação (SABA, como salbutamol) para resgate.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença pulmonar progressiva caracterizada por limitação do fluxo aéreo que não é totalmente reversível. O principal fator de risco é o tabagismo, presente no histórico do paciente. A espirometria é fundamental para o diagnóstico, mostrando uma relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0.7. O paciente em questão apresenta VEF1/CVF de 0.68 e VEF1 de 42% do previsto, sem resposta ao broncodilatador, o que o classifica como DPOC grave (GOLD D, considerando a dispneia e o histórico de exacerbação). O tratamento da DPOC visa aliviar os sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a qualidade de vida. A base do tratamento farmacológico são os broncodilatadores, que podem ser de curta (SABA/SAMA) ou longa ação (LABA/LAMA). Para pacientes com DPOC grave (GOLD D), a terapia combinada com broncodilatadores de longa ação (LAMA ou LABA/LAMA) é preferível. Neste caso, o tiotrópio (um LAMA) em uso contínuo é uma excelente opção para manutenção, proporcionando broncodilatação prolongada. O salbutamol (um SABA) deve ser prescrito para uso sob demanda, para alívio rápido dos sintomas agudos. A adição de corticoides inalatórios (como beclometasona) seria considerada em casos de exacerbações frequentes ou eosinofilia, o que não é explicitamente descrito como a principal necessidade inicial aqui.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de DPOC pela espirometria?

O diagnóstico de DPOC é confirmado pela espirometria que mostra uma relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0.7, indicando obstrução irreversível das vias aéreas.

Qual a importância dos broncodilatadores de longa ação na DPOC?

Os broncodilatadores de longa ação (LABA e LAMA) são a base do tratamento de manutenção da DPOC, pois promovem broncodilatação sustentada, aliviando sintomas e melhorando a qualidade de vida.

Quando os corticoides inalatórios são indicados na DPOC?

Os corticoides inalatórios são geralmente indicados para pacientes com DPOC grave que apresentam exacerbações frequentes, apesar do uso de broncodilatadores de longa ação, ou naqueles com fenótipo asmático/eosinofílico.

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