SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Mulher, 65 anos de idade, procura a UPA com queixa de dispneia e tosse com expectoração amarelada, há três dias. Refere hipertensão arterial sistêmica, em uso de losartana, e tabagismo de 30 anos/maço. Ao exame físico, apresenta saturação de oxigênio de 85%, FR: 22irpm, FC: 100bpm, afebril. Ausculta cardíaca sem alterações e ausculta respiratória com murmúrios vesiculares reduzidos globalmente e sibilos difusos. Extremidades sem edema, com cianose discreta.Indique o achado mais provável, caso essa paciente seja submetida a uma radiografia de tórax:
DPOC na RX → Hiperinsuflação, diafragma retificado e ↑ espaço aéreo retroesternal.
A DPOC causa aprisionamento aéreo e hiperinsuflação pulmonar. Radiologicamente, isso se traduz em retificação diafragmática, aumento dos espaços intercostais e aumento do espaço claro retroesternal no perfil.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada por uma limitação persistente ao fluxo aéreo, geralmente progressiva e associada a uma resposta inflamatória crônica aumentada das vias aéreas. A fisiopatologia envolve o aprisionamento de ar devido ao colapso precoce das vias aéreas durante a expiração e à destruição do parênquima (enfisema). Radiologicamente, a hiperinsuflação é o achado cardinal. Além do aumento do espaço retroesternal, a retificação das cúpulas diafragmáticas é um sinal de alta especificidade para o aumento do volume pulmonar. É fundamental que o médico residente reconheça esses sinais para diferenciar exacerbações de DPOC de outras causas de dispneia aguda, como a insuficiência cardíaca descompensada, onde o padrão radiológico é de congestão e não de hiperinsuflação.
Os sinais radiológicos de hiperinsuflação pulmonar, típicos da DPOC e do enfisema, incluem a retificação das cúpulas diafragmáticas (que podem estar posicionadas abaixo do 6º arco costal anterior), o aumento dos espaços intercostais, a horizontalização das costelas e o aumento do diâmetro anteroposterior do tórax (tórax em tonel). No perfil, observa-se o aumento do espaço aéreo retroesternal (espaço claro) e o aumento do diâmetro retrocardíaco. Esses achados refletem a perda de elasticidade pulmonar e o aprisionamento de ar característicos da fisiopatologia obstrutiva crônica.
Na DPOC, predominam sinais de hiperinsuflação e oligoemia periférica (no enfisema). Já na Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), observamos cardiomegalia, congestão hilar, linhas B de Kerley, derrame pleural e inversão da trama vascular (cefalização). No caso clínico, a paciente apresenta sibilos e história de tabagismo, direcionando para DPOC. A radiografia auxilia na exclusão de diagnósticos diferenciais e na identificação de complicações, como pneumonias ou pneumotórax, que podem exacerbar a dispneia na paciente tabagista crônica.
O aumento do espaço aéreo retroesternal é um sinal clássico de enfisema pulmonar visualizado na radiografia de tórax em incidência lateral (perfil). Ele é definido como a distância entre a face posterior do esterno e a parede anterior da aorta ascendente. Quando essa distância é superior a 2,5 cm, sugere hiperinsuflação pulmonar. Esse achado ocorre devido ao aumento do volume residual e da capacidade pulmonar total, que empurra o parênquima pulmonar para as regiões anteriores e posteriores, ocupando espaços que normalmente seriam menores em indivíduos saudáveis.
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