DPOC: Diagnóstico Clínico e Radiológico em Tabagistas

IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 62 anos vai à consulta médica referindo tosse produtiva com expectoração clara de aspecto mucoide. Refere história de dispneia aos médios esforços nos últimos 5 anos, com piora nos últimos 15 dias. Nega febre ou alteração característica da tosse habitual. É tabagista de 1 maço/dia há 40 anos. Nega, também, hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus. A radiografia de tórax mostra hiperinsuflação pulmonar, hipertransparência e retificação do diafragma. A hipótese diagnóstica provável é:

Alternativas

  1. A) Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)
  2. B) bronquiectasia
  3. C) asma agravada por infecção
  4. D) DPOC agravada por pneumonia

Pérola Clínica

Tabagista > 40 anos + tosse crônica + dispneia + RX hiperinsuflação → DPOC.

Resumo-Chave

A história de tabagismo intenso e prolongado, tosse produtiva crônica e dispneia progressiva, associada aos achados radiográficos de hiperinsuflação e retificação diafragmática, são altamente sugestivos de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). A ausência de febre ou piora aguda da tosse habitual afasta uma exacerbação infecciosa como diagnóstico primário.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido a anormalidades das vias aéreas e/ou alveolares, geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos. É uma das principais causas de morbidade e mortalidade global, sendo o tabagismo o fator de risco mais importante. A prevalência aumenta com a idade e o tempo de exposição ao tabaco. O diagnóstico da DPOC é clínico e funcional. A suspeita deve surgir em pacientes com história de tabagismo ou exposição a fatores de risco, que apresentam tosse crônica, expectoração e dispneia progressiva. A espirometria é essencial para confirmar o diagnóstico, mostrando um VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. A radiografia de tórax, embora não diagnóstica, pode revelar sinais de hiperinsuflação e retificação diafragmática, auxiliando na exclusão de outras patologias. O tratamento da DPOC visa aliviar os sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a qualidade de vida. Inclui cessação do tabagismo (medida mais importante), broncodilatadores (beta-2 agonistas e anticolinérgicos de longa duração), corticosteroides inalatórios em casos selecionados e reabilitação pulmonar. O prognóstico está diretamente relacionado à gravidade da limitação do fluxo aéreo e à persistência do tabagismo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de DPOC?

O principal fator de risco é o tabagismo, responsável por cerca de 80-90% dos casos. Outros incluem exposição à fumaça de biomassa, poluição do ar e exposição ocupacional a poeiras e produtos químicos.

Quais são os achados radiográficos típicos de DPOC em uma radiografia de tórax?

Os achados clássicos incluem hiperinsuflação pulmonar (aumento do espaço aéreo), hipertransparência dos campos pulmonares, retificação do diafragma e aumento do espaço retroesternal. Pode haver também cardiomegalia e sinais de hipertensão pulmonar em casos avançados.

Como diferenciar uma exacerbação de DPOC de uma pneumonia?

Uma exacerbação de DPOC é caracterizada por piora da dispneia, aumento do volume e/ou purulência do escarro. A pneumonia, além desses sintomas, frequentemente apresenta febre, calafrios, dor pleurítica e infiltrados pulmonares novos na radiografia de tórax, que não são típicos de uma exacerbação não complicada.

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