Manejo da DPOC Grave com Eosinofilia: Terapia Tripla

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Homem, 62 anos de idade, tabagista atual (110 anos-maço), apresenta há 4 anos quadro de dispneia progressiva (atualmente, mMRC: 4), em associação a tosse produtiva com escarro mucoide e sibilância. Relata três internações em enfermaria no último ano por “pneumonia”. Está em uso de salbutamol spray 100 mcg, 2 jatos, várias vezes ao dia, com alívio mínimo dos sintomas. Exame físico: FR = 24 rpm, SpO2 = 93%, FC = 110 bpm; ausculta cardíaca sem alterações; ausculta pulmonar com sons respiratórios difusamente reduzidos, com roncos e sibilos difusos. Hemograma: eosinofilia (420 células/mm3). Tomografia de tórax de alta resolução: enfisema centrolobular extenso, sobretudo em lobos superiores. Espirometria (realizada em estabilidade clínica): relação VEF1/CVF pós-broncodilatador = 45% e VEF1 pós-broncodilatador = 38% do previsto. Considerando o diagnóstico da doença respiratória do paciente, qual é a abordagem farmacológica inalatória de manutenção mais adequada?

Alternativas

  1. A) Formoterol 12 mcg + budesonida 400 mcg, uma cápsula três vezes ao dia.
  2. B) Tiotrópio 2,5 mcg, duas doses pela manhã.
  3. C) Salmeterol 50 mcg + fluticasona 250 mcg, uma dose duas vezes ao dia.
  4. D) Brometo de umeclidínio 62,5 mcg + trifenatato de vilanterol 25 mcg, uma dose pela manhã, em associação com budesonida 400 mcg, uma cápsula duas vezes ao dia.

Pérola Clínica

DPOC + Eosinofilia (>300) + Exacerbações → Terapia Tripla (LAMA + LABA + Corticoide Inalatório).

Resumo-Chave

Pacientes com DPOC grave, histórico de internações e eosinofilia periférica elevada têm indicação formal de terapia tripla para redução de riscos.

Contexto Educacional

O manejo da DPOC evoluiu para uma medicina de precisão baseada em fenótipos e biomarcadores. O paciente em questão apresenta obstrução grave (VEF1 38%), sintomas intensos (mMRC 4) e histórico de exacerbações graves (internações), classificando-o no grupo E do GOLD. A presença de eosinofilia (420 células/mm³) é um forte preditor de resposta favorável aos corticoides inalatórios. Portanto, a combinação de LAMA (Umeclidínio), LABA (Vilanterol) e ICS (Budesonida) é a conduta mais adequada para otimizar a função pulmonar e prevenir novos eventos agudos.

Perguntas Frequentes

Quando indicar corticoide inalatório (ICS) na DPOC?

O ICS é indicado principalmente para pacientes com histórico de exacerbações frequentes (≥2 moderadas ou ≥1 internação no último ano) e contagem de eosinófilos no sangue ≥ 300 células/µL.

O que compõe a terapia tripla na DPOC?

A terapia tripla consiste na associação de um Antagonista Muscarínico de Longa Ação (LAMA), um Beta-2 Agonista de Longa Ação (LABA) e um Corticoide Inalatório (ICS).

Qual o impacto da eosinofilia no tratamento da DPOC?

A eosinofilia periférica atua como um biomarcador de resposta ao corticoide inalatório. Valores acima de 300 sugerem maior benefício na redução de exacerbações com o uso de ICS.

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