Manejo Farmacológico da DPOC: LAMA/LABA vs ICS

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Homem, 68 anos de idade, fumante atual (45 anos-maço), tem diagnóstico de DPOC. Começou a apresentar dispneia progressiva aos esforços, piora da tosse e aumento do volume de escarro. Iniciou uso de formoterol 12 mcg associado a budesonida 400 mcg a cada 12 horas via inalatória, sem melhora do quadro após 3 meses. Exame físico: corado e hidratado, FR = 14 irpm, SpO₂ 92% em repouso; ausculta pulmonar com sons pulmonares reduzidos e sem ruídos adventícios; sem outras alterações. Solicitada espirometria, cujo resultado está representado na tabela: (LABA = agonistas beta2-adrenérgicos de longa duração; LAMA = broncodilatadores antagonistas muscarínicos de longa duração) Qual é a conduta farmacológica mais adequada?

Alternativas

  1. A) Trocar os medicamentos inalatórios para uma associação LAMA/LABA e associar salbutamol de alívio.
  2. B) Manter os medicamentos inalatórios com formoterol/budesonida e associar salbutamol de alívio.
  3. C) Trocar os medicamentos para uma associação de terapia tripla inalatória (LAMA/LABA/ corticoide) e associar oxigenoterapia domiciliar.
  4. D) Trocar os medicamentos inalatórios para uma associação LAMA/LABA e associar oxigenoterapia domiciliar.

Pérola Clínica

DPOC sintomático sem exacerbação → Preferir LAMA/LABA em vez de ICS/LABA.

Resumo-Chave

Em pacientes com DPOC e sintomas persistentes (dispneia) sem histórico de exacerbações frequentes, a combinação de dois broncodilatadores de longa duração (LAMA/LABA) é superior à associação com corticoide inalatório.

Contexto Educacional

O tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) evoluiu para uma abordagem centrada no fenótipo do paciente, dividindo-os principalmente entre 'sintomáticos' (foco em dispneia) e 'exacerbadores'. A espirometria confirma a obstrução (VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador), mas a escolha terapêutica baseia-se na escala mMRC (dispneia) e no histórico de crises anuais. A evidência atual demonstra que a broncodilatação dupla (LAMA + LABA) promove maior melhora na função pulmonar e redução de sintomas do que a combinação LABA + ICS em pacientes não exacerbadores. O uso indiscriminado de corticoides inalatórios na DPOC está associado a um risco aumentado de pneumonia, devendo ser descontinuado ou evitado se não houver indicação precisa (eosinofilia ou asma).

Perguntas Frequentes

Quando indicar LAMA/LABA em vez de ICS/LABA na DPOC?

De acordo com as diretrizes GOLD, a combinação LAMA/LABA é preferível para pacientes com dispneia persistente ou limitação ao exercício que não respondem à monoterapia. O uso de corticoides inalatórios (ICS) deve ser reservado para pacientes com histórico de exacerbações frequentes (≥ 2 exacerbações moderadas ou 1 hospitalização por ano), contagem de eosinófilos no sangue ≥ 300 células/µL ou história de asma concomitante. No caso clínico, o paciente não tem relato de exacerbações, tornando a troca para LAMA/LABA a conduta mais adequada.

Quais são as indicações de oxigenoterapia domiciliar na DPOC?

A oxigenoterapia domiciliar prolongada é indicada quando a PaO2 é ≤ 55 mmHg ou a SpO2 é ≤ 88% em repouso e ar ambiente. Também pode ser indicada se a PaO2 estiver entre 56-59 mmHg caso haja evidência de cor pulmonale, insuficiência cardíaca congestiva ou policitemia (hematócrito > 55%). O paciente do caso apresenta SpO2 de 92%, o que não preenche critérios para oxigenoterapia no momento.

Qual o papel do salbutamol no tratamento da DPOC?

O salbutamol é um agonista beta2-adrenérgico de curta duração (SABA) utilizado como medicação de alívio (resgate) para sintomas agudos de dispneia. Ele deve estar disponível para todos os pacientes com DPOC, independentemente do esquema de manutenção (LAMA, LABA ou combinações), para manejo de sintomas intercorrentes.

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