SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Mulher, 68 anos de idade, tabagista 75 anos-maço, apresenta dispneia e tosse há 2 anos. Fez espirometria, que mostrou VEF1 de 60% do predito e relação VEF1/VFC de 0,65. Apresentou um episódio de exacerbação da dispneia, com necessidade de internação hospitalar, uso de broncodilatadores e antibiótico há 4 meses. A terapia ambulatorial ideal é:
DPOC + ≥1 internação → Grupo E → Iniciar LABA + LAMA (independente do VEF1).
Pacientes com histórico de hospitalização por exacerbação pertencem ao Grupo E (GOLD). A terapia de escolha é a combinação de broncodilatadores de longa duração (LABA+LAMA) para reduzir o risco de novos eventos.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada por limitação persistente ao fluxo aéreo, geralmente progressiva. A classificação atual do GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) simplificou o manejo clínico ao agrupar pacientes com alto risco de exacerbação no Grupo E. A fisiopatologia envolve inflamação crônica das vias aéreas e destruição do parênquima pulmonar, frequentemente causada pelo tabagismo. O manejo farmacológico visa reduzir sintomas e riscos futuros. A combinação de dois broncodilatadores com mecanismos de ação diferentes (LAMA e LABA) promove uma broncodilatação mais eficaz e sustentada. O Umeclidínio (LAMA) atua bloqueando receptores muscarínicos M3, enquanto o Vilanterol (LABA) estimula receptores beta-2 adrenérgicos, resultando em relaxamento da musculatura lisa brônquica e redução do aprisionamento aéreo.
O Grupo E (Exacerbadores) inclui todos os pacientes com histórico de duas ou mais exacerbações moderadas ou pelo menos uma exacerbação que resultou em internação hospitalar no último ano, independentemente do nível de dispneia avaliado pelo mMRC ou CAT. Essa unificação dos antigos grupos C e D foca no risco clínico elevado desses pacientes, priorizando a terapia combinada com LAMA e LABA como tratamento inicial padrão para reduzir a frequência de novas crises e melhorar a função pulmonar.
O uso de corticoide inalatório (ICS) deve ser considerado em pacientes do Grupo E que apresentam contagem de eosinófilos no sangue ≥ 300 células/µL ou naqueles com histórico de asma concomitante. O GOLD recomenda cautela, pois o uso indiscriminado de ICS em pacientes com DPOC está associado a um risco aumentado de pneumonia. Se o paciente persistir com exacerbações mesmo em uso de LABA+LAMA e tiver eosinófilos > 100 células/µL, a tripla terapia (LABA+LAMA+ICS) pode ser indicada.
O Tiotrópio é um LAMA (antagonista muscarínico de longa duração) isolado, enquanto o Umeclidínio/Vilanterol é uma combinação fixa de LAMA e LABA (beta-2 agonista de longa duração). Para pacientes do Grupo E, as evidências mostram que a terapia combinada (LAMA+LABA) é superior à monoterapia na melhora do VEF1, redução da dispneia e, crucialmente, na prevenção de exacerbações futuras, sendo a recomendação de primeira linha para este perfil de gravidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo