UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023
Homem de 61 anos retorna em consulta ambulatorial com queixa de dispneia aos moderados esforços e pouca tosse seca. Relata exacerbação do quadro há 2 meses com necessidade de internação por 1 semana. Atualmente sem suplementação de oxigênio. AP: tabagismo prévio de 30 anos-maço. Em uso regular de formoterol 12 mcg de 12/12h. Espirometria (valores após broncodilatador): VEF1/CVF = 62 e VEF1 = 49%. A melhor conduta é
DPOC GOLD Grupo D (VEF1 < 50% + ≥2 exacerbações/ano ou ≥1 internação) → LABA + LAMA.
O paciente apresenta DPOC grave (VEF1 = 49%) e histórico de exacerbação grave com internação, classificando-o no grupo D da GOLD. A terapia inicial para o grupo D é a combinação de um broncodilatador de longa ação beta-agonista (LABA) com um broncodilatador de longa ação anticolinérgico (LAMA), portanto, associar tiotrópio (LAMA) ao formoterol (LABA) é a conduta mais adequada.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva, caracterizada por limitação do fluxo aéreo que não é totalmente reversível. É comumente associada à exposição prolongada a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo a principal causa. A avaliação da DPOC é feita pela espirometria, que mede o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a capacidade vital forçada (CVF), com uma relação VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador confirmando a obstrução. A classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) estratifica os pacientes com DPOC com base na gravidade da obstrução do fluxo aéreo (estágios GOLD 1 a 4, de leve a muito grave) e no risco de exacerbações e impacto dos sintomas (grupos A, B, C, D). O paciente do caso, com VEF1 de 49% (GOLD 3 - grave) e histórico de internação por exacerbação (o que o coloca no grupo de alto risco), é classificado como GOLD Grupo D. Para pacientes no Grupo D, a estratégia terapêutica inicial recomendada é a combinação de um broncodilatador beta-agonista de longa ação (LABA) com um broncodilatador anticolinérgico de longa ação (LAMA). O paciente já utiliza formoterol (LABA), portanto, a adição de tiotrópio (LAMA) é a conduta mais apropriada para otimizar a broncodilatação, reduzir os sintomas e prevenir futuras exacerbações. A terapia tripla (LABA/LAMA/ICS) pode ser considerada se as exacerbações persistirem, especialmente em pacientes com eosinofilia.
A classificação GOLD considera o VEF1 pós-broncodilatador para determinar a gravidade da obstrução (GOLD 1 a 4) e a frequência de sintomas e exacerbações para categorizar o risco (Grupos A, B, C, D), guiando a escolha terapêutica.
A combinação de um broncodilatador beta-agonista de longa ação (LABA) com um anticolinérgico de longa ação (LAMA) oferece broncodilatação mais potente e sustentada, melhorando a função pulmonar, reduzindo sintomas e diminuindo o risco de exacerbações em pacientes com DPOC moderada a grave.
O ICS é geralmente considerado para pacientes com DPOC grave (GOLD C ou D) que apresentam exacerbações frequentes, especialmente se houver eosinofilia sanguínea ou histórico de asma/síndrome de sobreposição asma-DPOC (ACOS).
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