DPOC: Medidas de Longo Prazo para Prevenir Exacerbações

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 65 anos de idade, procura a UPA com queixa de dispneia e tosse com expectoração amarelada, há três dias. Refere hipertensão arterial sistêmica, em uso de losartana, e tabagismo de 30 anos/maço. Ao exame físico, apresenta saturação de oxigênio de 85%, FR: 22irpm, FC: 100bpm, afebril. Ausculta cardíaca sem alterações e ausculta respiratória com murmúrios vesiculares reduzidos globalmente e sibilos difusos. Extremidades sem edema, com cianose discreta.Identifique as medidas de primeira linha, a longo prazo, para evitar uma nova ida ao Pronto-Atendimento:

Alternativas

  1. A) Uso de broncodilatadores de curta duração e vacinação contra pneumococo.
  2. B) Uso de antibiótico profilático e cessação do tabagismo.
  3. C) Uso de broncodilatadores de longa duração e vacinação contra Influenza.
  4. D) Uso de corticosteroide sistêmico e mucolítico.

Pérola Clínica

LAMA/LABA + Vacinação (Influenza/Pneumococo) = ↓ Exacerbações e Internações na DPOC.

Resumo-Chave

O manejo da DPOC estável foca na redução de sintomas e riscos futuros. Broncodilatadores de longa duração (LAMA/LABA) e imunização são pilares para evitar idas à emergência.

Contexto Educacional

A DPOC é uma doença caracterizada por limitação crônica ao fluxo aéreo, geralmente progressiva e associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. O manejo ambulatorial visa o controle de sintomas (dispneia) e a redução de riscos futuros, como exacerbações e declínio da função pulmonar. As diretrizes GOLD enfatizam a terapia tripla (LAMA+LABA+CI) para casos graves, mas a base inicial para prevenção de crises envolve broncodilatação de longa ação e imunização completa. A cessação do tabagismo é a única intervenção que comprovadamente altera a história natural da doença, reduzindo a velocidade de queda do VEF1.

Perguntas Frequentes

Qual o papel dos broncodilatadores de longa duração na DPOC?

Os broncodilatadores de longa duração, como os antimuscarínicos (LAMA) e os beta-2 agonistas (LABA), são a base do tratamento da DPOC estável. Eles promovem a broncodilatação sustentada, melhorando a função pulmonar, reduzindo a hiperinsuflação dinâmica e, consequentemente, diminuindo a frequência e a gravidade das exacerbações agudas. O uso regular reduz a necessidade de idas ao pronto-atendimento e melhora a qualidade de vida do paciente, sendo superiores aos agentes de curta duração para manutenção.

Por que a vacinação é crucial para pacientes com DPOC?

Infecções respiratórias virais e bacterianas são os principais gatilhos para exacerbações da DPOC. A vacinação contra Influenza (anual) e contra o Pneumococo (conforme protocolo) reduz significativamente o risco de infecções graves, hospitalizações e mortalidade. Outras vacinas, como contra COVID-19 e coqueluche (dTpa), também são recomendadas pelas diretrizes GOLD para otimizar a proteção imunológica desses pacientes vulneráveis, prevenindo o ciclo de descompensação respiratória.

Quando indicar corticoide inalatório na DPOC?

O corticoide inalatório (CI) não é primeira linha isolada. Ele é indicado em associação com LABA ou LAMA/LABA em pacientes com histórico de exacerbações frequentes (≥ 2 moderadas ou 1 hospitalização no último ano) e, especialmente, naqueles com contagem de eosinófilos sanguíneos ≥ 300 células/µL. O uso deve ser criterioso, pois o CI está associado a um risco aumentado de pneumonia em pacientes com DPOC, devendo ser evitado em pacientes com eosinófilos baixos ou infecções micobacterianas.

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