TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Em relação às doenças pulmonares obstrutivas crônicas, assinale a alternativa que contém uma informação incorreta.
DPOC: Enfisema = destruição alveolar (elastase ↑); Bronquite = hipersecreção mucosa + inflamação.
A fisiopatologia da DPOC envolve dois mecanismos principais: a destruição do parênquima (enfisema) por desequilíbrio enzimático e a inflamação das vias aéreas (bronquite) com hipersecreção.
A DPOC é uma doença heterogênea caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação ao fluxo aéreo. A bronquite crônica é definida clinicamente por tosse e produção de catarro, enquanto o enfisema é uma definição patológica de destruição alveolar. É fundamental diferenciar os mecanismos: na asma, o remodelamento é mediado por inflamação eosinofílica e hiperresponsividade brônquica; na DPOC, a inflamação é predominantemente neutrofílica e a destruição tecidual é mediada por estresse oxidativo e proteólise.
No enfisema, há um desequilíbrio crítico entre proteases (como a elastase neutrofílica) e antiproteases (como a alfa-1 antitripsina). O tabagismo e outros irritantes recrutam células inflamatórias (macrófagos e neutrófilos) que liberam proteases. Estas enzimas degradam a elastina e outros componentes da matriz extracelular dos septos alveolares, levando à destruição permanente dos espaços aéreos distais ao bronquíolo terminal, reduzindo a área de troca gasosa e o suporte elástico das vias aéreas.
A hipertensão pulmonar na DPOC decorre de dois mecanismos principais: a redução anatômica do leito capilar devido à destruição dos septos alveolares no enfisema e a vasoconstrição pulmonar hipóxica reflexa. A hipóxia alveolar crônica induz a contração das arteríolas pulmonares e, com o tempo, leva ao remodelamento vascular com hipertrofia da camada média. Isso aumenta a resistência vascular pulmonar, sobrecarregando o ventrículo direito (cor pulmonale).
A obstrução ao fluxo aéreo no enfisema não é primariamente por muco, mas pela perda do recolhimento elástico pulmonar. Os alvéolos funcionam como amarras que mantêm as pequenas vias aéreas abertas durante a expiração (ancoramento alveolar). Com a destruição do parênquima, essas amarras são perdidas, e a pressão positiva intratorácica durante a expiração causa o colapso precoce das vias aéreas, resultando em aprisionamento de ar e hiperinsuflação dinâmica.
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