FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
Paciente feminina, 62 anos, portadora de Doença pulmonar obstrutiva crônica de diagnóstico recente, apresentando boa resposta ao tratamento convencional otimizado, sem exacerbações e sem história de internação relacionada a doença. Apresentando capacidade laboral preservada (trabalha como faxineira) PPS: 90%. Sobre a paciente, passaram-se alguns anos e a mesma vem apresentando exacerbações recorrentes da DPOC e internações por pneumonia (mais de três em 6 meses) sendo a última há 15 dias. Encontra-se predominantemente restrita ao leito por dispneia com necessidade de oxigenioterapia suplementar contínua e edema de membros inferiores proporcionais e sem sinais de trombose venosa. Neste cenário, está indicada Abordagem Paliativa?
DPOC avançada + internações recorrentes + dependência de O2 + PPS baixo → Indicação de Cuidados Paliativos.
A abordagem paliativa na DPOC deve ser iniciada precocemente em pacientes com doença grave, múltiplas exacerbações e declínio funcional acentuado, visando qualidade de vida e controle de sintomas.
A DPOC é uma doença crônica e progressiva com uma trajetória de declínio pontuada por exacerbações agudas. A paciente descrita apresenta marcadores de gravidade extrema: internações frequentes (mais de 3 em 6 meses), dependência de oxigênio e sinais de cor pulmonale (edema de membros inferiores). Embora o PPS inicial fosse alto, a evolução clínica demonstra falência orgânica progressiva. A abordagem paliativa é essencial para discutir diretivas antecipadas de vontade, otimizar o conforto respiratório e oferecer suporte psicossocial, já que a mortalidade após internações repetidas por DPOC é elevada. O reconhecimento dessa fase permite evitar medidas fúteis e focar na dignidade do paciente, integrando a equipe multiprofissional no cuidado contínuo.
Os critérios incluem VEF1 < 30% do previsto, necessidade de oxigenioterapia domiciliar, múltiplas internações hospitalares por exacerbações (especialmente se > 3 em 6 meses), perda ponderal significativa (caquexia pulmonar) e baixa performance funcional (PPS < 70% ou dependência em atividades de vida diária). A presença de cor pulmonale também é um marcador de mau prognóstico.
A Palliative Performance Scale (PPS) é uma ferramenta que avalia a funcionalidade do paciente em cinco domínios: deambulação, atividade/evidência de doença, autocuidado, ingestão e nível de consciência. Um PPS de 90% indica plena capacidade, enquanto valores menores sugerem necessidade de suporte paliativo progressivo para manejo de sintomas e suporte familiar.
Não. Na DPOC, os cuidados paliativos são oferecidos de forma concomitante ao tratamento otimizado (broncodilatadores, reabilitação). O foco muda gradualmente do controle da doença para o controle de sintomas (como uso de baixas doses de opioides para dispneia) conforme a fragilidade do paciente aumenta e as opções curativas se esgotam.
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