TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Paciente do sexo masculino com 45 anos, ex-fumante de 10 cigarros/dia há 35 anos, cessado há 1 ano, sem comorbidades, com queixa de tosse matinal e dispneia aos grandes esforços. Ao exame físico, não apresenta alterações na ausculta e tem tomografia de tórax com discreto enfisema centrolobular nos lobos superiores. Realiza uma espirometria que mostra CVF 85%, Vef1 70% do previsto, vef1/cvf após broncodilatador 0,70 e sem resposta ao broncodilatador. Segundo o documento GOLD 2025, qual o tratamento correto?
Redução de mortalidade na DPOC = Cessar tabagismo + Oxigenoterapia (se indicação) + Cirurgia redutora (casos selecionados).
Diferente do alívio sintomático, poucas intervenções alteram o desfecho de sobrevida na DPOC. O GOLD 2025 reforça o papel da cessação tabágica e suporte ventilatório/cirúrgico específico.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação ao fluxo aéreo devido a anormalidades nas vias aéreas ou alveolares. O diagnóstico é confirmado por uma relação VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. O manejo clínico visa reduzir sintomas e riscos futuros (exacerbações). O GOLD 2025 enfatiza a personalização do tratamento, utilizando a contagem de eosinófilos para guiar o uso de corticoides inalatórios e priorizando a broncodilatação dupla (LABA+LAMA) para a maioria dos pacientes sintomáticos.
As intervenções com maior evidência de redução de mortalidade incluem a cessação definitiva do tabagismo, a oxigenoterapia domiciliar prolongada em pacientes com hipoxemia grave em repouso, a ventilação não invasiva (VNI) em pacientes com hipercapnia crônica persistente após hospitalização, a reabilitação pulmonar e, em casos muito selecionados de enfisema de lobos superiores, a cirurgia de redução de volume pulmonar.
A gravidade da limitação ao fluxo aéreo é classificada pelo VEF1 pós-broncodilatador em relação ao previsto: GOLD 1 (Leve): VEF1 ≥ 80%; GOLD 2 (Moderada): 50% ≤ VEF1 < 80%; GOLD 3 (Grave): 30% ≤ VEF1 < 50%; GOLD 4 (Muito Grave): VEF1 < 30%. O paciente do caso, com VEF1 de 70%, enquadra-se no estágio GOLD 2.
A terapia tripla (LABA + LAMA + CI) tem demonstrado redução na taxa de exacerbações e, em alguns estudos recentes (como ETHOS e IMPACT), redução na mortalidade por todas as causas em pacientes com histórico de exacerbações frequentes e eosinofilia sanguínea elevada. No entanto, ela não substitui as medidas fundamentais como a cessação do tabagismo para todos os fenótipos.
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