FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Um paciente de 72 anos de idade compareceu à UBS apresentando dispneia para tomar banho e fazer a barba, limitação para atividades diárias e agravamento do padrão de tosse produtiva, com mudança da coloração do escarro. Durante a consulta, o médico observou múltiplas contusões em diferentes estágios de cicatrização nos membros superiores e abrasões no dorso. Após estabelecer vínculo de confiança, o idoso revelou que o seu filho, com quem reside, tem consumido álcool excessivamente e se tornado agressivo, especialmente quando o pai tosse durante a noite. O paciente referiu histórico de tabagismo (50 maços/ ano), duas internações por exacerbação de DPOC no último ano e que o filho frequentemente se apropriava de sua aposentadoria e não permitia que o pai adquirisse as suas medicações regularmente. Considerando esse caso clínico hipotético, que envolve manejo clínico da DPOC e situação de vulnerabilidade por violência, assinale a opção que apresenta a conduta adequada.
Exacerbação DPOC + Sinais de maus-tratos → Tratar quadro clínico + Notificação compulsória imediata.
O manejo da DPOC exacerbada requer tratamento farmacológico imediato, enquanto a suspeita de violência contra o idoso exige notificação e ativação da rede de proteção.
A exacerbação da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma causa frequente de morbidade em idosos, caracterizada pelo aumento agudo de sintomas respiratórios. O tratamento envolve broncodilatadores de curta ação, corticoides sistêmicos e, se houver sinais de infecção bacteriana (escarro purulento), antibióticos. A manutenção com terapia tripla (LAMA/LABA/CI) é indicada para pacientes com histórico de múltiplas exacerbações. Paralelamente, o médico deve estar atento a sinais não verbais de vulnerabilidade. A violência contra o idoso pode ser física, psicológica ou financeira. A presença de lesões em diferentes estágios de cicatrização e o relato de apropriação de proventos são sinais clássicos. A conduta ética e legal exige a notificação compulsória e a articulação com a rede de proteção social (CRAS/CREAS) para garantir a segurança do paciente, sem negligenciar o suporte terapêutico ao agressor quando este apresenta patologias como a dependência química.
A antibioticoterapia é indicada na presença de aumento da dispneia, aumento do volume do escarro e aumento da purulência do escarro (critérios de Anthonisen). No caso, a mudança na coloração do escarro e o agravamento da tosse produtiva justificam o uso, geralmente direcionado a patógenos como H. influenzae e S. pneumoniae.
Não, a notificação de suspeita ou confirmação de violência contra o idoso é compulsória para profissionais de saúde, conforme o Estatuto do Idoso e normas do Ministério da Saúde. Ela deve ser feita aos órgãos competentes (Conselho do Idoso, Ministério Público ou Delegacia) para garantir a proteção da vítima.
A abordagem deve ser intersetorial. Enquanto o idoso é protegido pela rede social, o agressor com dependência de álcool deve ser encaminhado para tratamento especializado, como o CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas), visando cessar o ciclo de violência gerado pelo abuso de substâncias.
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