HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020
Homem, 59 anos, com hipertensão arterial sistêmica controlada com tratamento medicamentoso, procura atendimento por dispneia, tosse seca e fadiga. Refere início insidioso dos sintomas, com piora progressiva ao longo dos últimos 2 anos. Nunca fumou e nega história de asma. Traz ecocardiografia recente dentro da normalidade. Nega exposição ocupacional significativa, bem como outras comorbidades. Ao exame físico: acianótico, FR 24 mrpm, ausculta pulmonar com estertores crepitantes nas bases. Qual das alternativas representa a conduta inicial a ser solicitada para o diagnóstico desse caso?
Dispneia progressiva + tosse seca + estertores crepitantes + ecocardiograma normal → investigar doença pulmonar intersticial com teste de função pulmonar.
O quadro clínico de dispneia progressiva, tosse seca e estertores crepitantes bilaterais em bases pulmonares, na ausência de doença cardíaca (ecocardiograma normal), é altamente sugestivo de doença pulmonar intersticial. O teste de função pulmonar é a conduta inicial mais adequada para avaliar a extensão do comprometimento pulmonar e guiar a investigação diagnóstica.
As doenças pulmonares intersticiais (DPI) representam um grupo heterogêneo de condições caracterizadas por inflamação e/ou fibrose do parênquima pulmonar, afetando principalmente o interstício, alvéolos e pequenas vias aéreas. A apresentação clínica típica inclui dispneia progressiva, tosse seca e fadiga, com achados de estertores crepitantes finos nas bases pulmonares à ausculta. A ausência de história de tabagismo e a ecocardiografia normal afastam causas cardíacas e DPOC, direcionando a investigação para as DPI. A fisiopatologia das DPI envolve um processo inflamatório crônico que pode progredir para fibrose irreversível, comprometendo a troca gasosa. O diagnóstico diferencial é amplo, incluindo fibrose pulmonar idiopática, pneumonites de hipersensibilidade, sarcoidose e DPI associadas a doenças do tecido conjuntivo. A avaliação inicial deve incluir exames que quantifiquem o comprometimento funcional, como o teste de função pulmonar, que tipicamente revela um padrão restritivo e redução da capacidade de difusão. A conduta diagnóstica para DPI geralmente segue uma sequência que começa com a história clínica detalhada e exame físico, seguida por exames de imagem (tomografia computadorizada de alta resolução - TC de tórax), testes de função pulmonar e, se necessário, broncoscopia com lavado broncoalveolar ou biópsia pulmonar. O teste de função pulmonar é crucial para avaliar a gravidade da disfunção e monitorar a progressão da doença, sendo uma etapa inicial indispensável antes de procedimentos mais invasivos.
Os sintomas mais comuns são dispneia progressiva (inicialmente aos esforços, depois em repouso), tosse seca persistente e fadiga.
O teste de função pulmonar, especialmente a espirometria e a pletismografia, ajuda a identificar um padrão restritivo (diminuição dos volumes pulmonares) e a redução da capacidade de difusão de monóxido de carbono (DLCO), que são característicos das doenças intersticiais.
A biópsia pulmonar é considerada quando o diagnóstico não pode ser estabelecido por métodos menos invasivos (clínica, imagem, testes funcionais) e é necessária para diferenciar subtipos de doenças intersticiais, como a fibrose pulmonar idiopática de outras pneumonias intersticiais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo