DDPPC: Diagnóstico e Diferenciais na Poliartrite do Idoso

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 77 anos, há dois anos, apresenta quadro de poliartrite simétrica com fator reumatóide e teste do anticorpo do peptídeo citrulinado cíclico (anti-CCP) negativos. Radiografia: alterações compatíveis com osteoartrite das articulações metacarpofalangeanas, punhos, cotovelos, ombros, tornozelos e joelhos. Análise diagnóstica do líquido sinovial: cristais romboides e na forma de bastonetes com birrefringência fracamente positiva à microscopia pela luz polarizada. Pode-se afirmar que a causa secundária mais provável da osteoartrite desta paciente é doença por deposição de:

Alternativas

  1. A) pirofosfato de cálcio
  2. B) urato monossódico
  3. C) apatita de cálcio
  4. D) oxalato de cálcio

Pérola Clínica

DDPPC = cristais romboides/bastonetes, birrefringência fracamente positiva, poliartrite em idosos, FR/anti-CCP negativos.

Resumo-Chave

A presença de cristais romboides ou em bastonetes com birrefringência fracamente positiva no líquido sinovial é patognomônica da doença por deposição de pirofosfato de cálcio (DDPPC), também conhecida como pseudogota ou condrocalcinose, que pode mimetizar osteoartrite ou artrite reumatoide em idosos.

Contexto Educacional

A Doença por Deposição de Pirofosfato de Cálcio (DDPPC), também conhecida como pseudogota ou condrocalcinose, é uma artropatia inflamatória comum em idosos, caracterizada pela deposição de cristais de pirofosfato de cálcio di-hidratado nas articulações. Sua prevalência aumenta com a idade, e pode ser assintomática ou manifestar-se como artrite aguda, crônica ou mimetizar osteoartrite. É crucial para residentes reconhecerem essa condição devido à sua semelhança com outras doenças reumatológicas. O diagnóstico da DDPPC é estabelecido pela análise do líquido sinovial, que revela a presença de cristais romboides ou em bastonetes com birrefringência fracamente positiva à microscopia de luz polarizada. Radiografias podem mostrar condrocalcinose (calcificação da cartilagem articular), especialmente em meniscos e fibrocartilagens. A suspeita deve surgir em pacientes idosos com poliartrite, especialmente se os testes para artrite reumatoide (FR e anti-CCP) forem negativos. O tratamento da DDPPC é sintomático, visando o alívio da dor e inflamação, com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina ou corticosteroides intra-articulares. Em casos refratários, pode-se considerar corticosteroides orais. O manejo envolve também a identificação e tratamento de condições associadas, como hipotireoidismo, hiperparatireoidismo e hemocromatose, que podem predispor à deposição de cristais.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados característicos da DDPPC no líquido sinovial?

A DDPPC é caracterizada pela presença de cristais de pirofosfato de cálcio di-hidratado (CPPD) no líquido sinovial, que são tipicamente romboides ou em bastonetes e exibem birrefringência fracamente positiva sob luz polarizada.

Como diferenciar a DDPPC da gota?

A gota é causada por cristais de urato monossódico, que são em forma de agulha e apresentam birrefringência fortemente negativa. A DDPPC, por sua vez, tem cristais romboides com birrefringência fracamente positiva.

Quais articulações são mais comumente afetadas pela DDPPC?

A DDPPC pode afetar diversas articulações, incluindo joelhos, punhos, ombros, cotovelos e metacarpofalangeanas, muitas vezes mimetizando osteoartrite ou outras artropatias inflamatórias.

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