UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Um paciente de 25 anos, com histórico de abscesso pilonidal, foi submetido a incisão e drenagem há três semanas, mas retorna com dor persistente e sinais de inflamação no local da ferida. O exame revela a presença de um abscesso recidivante. Qual seria o próximo passo mais adequado no manejo desse paciente?
Abscesso pilonidal recidivante exige drenagem + remoção de pelos + debridamento + marsupialização/saucerização.
A simples drenagem não trata a causa da doença pilonidal (pelos e trajetos sinuais). Na recidiva, é necessário debridar os trajetos e deixar a ferida aberta para cicatrização por segunda intenção ou marsupialização.
A doença pilonidal é uma condição inflamatória crônica da região sacrococcígea, mais comum em homens jovens. A teoria mais aceita é a de que pelos soltos penetram na pele devido ao atrito e pressão, gerando uma reação de corpo estranho e infecção secundária. No manejo do abscesso recidivante, a estratégia deve ser mais agressiva do que na primeira drenagem. A saucerização (tornar a cavidade rasa como um pires) e a marsupialização garantem que não haja bolsões para novo acúmulo de secreção. O pós-operatório exige higiene rigorosa e, frequentemente, a remoção definitiva de pelos na região (laser ou eletrólise) para prevenir novas recorrências a longo prazo.
A drenagem simples trata apenas a coleção purulenta aguda, mas não remove os 'ninhos' de pelos (pili) e os trajetos fistulosos que caracterizam a doença pilonidal. Sem a remoção desses detritos e a obliteração dos trajetos, o acúmulo de material orgânico reinicia o processo inflamatório e infeccioso.
A marsupialização consiste em abrir o teto do abscesso ou cisto, debridar o conteúdo e suturar as bordas da pele às bordas da fáscia ou do fundo da cavidade. Isso mantém a ferida aberta de forma controlada, permitindo a cicatrização por segunda intenção e reduzindo o espaço morto.
Antibióticos são adjuvantes e não substituem o tratamento cirúrgico. São indicados apenas em casos de celulite extensa perilesional, pacientes imunossuprimidos ou com sinais sistêmicos de infecção. O pilar do tratamento é a intervenção mecânica (drenagem e limpeza).
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