SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Paciente masculino, 34 anos, dá entrada na emergência com história de 5 dias de febre alta, cefaleia intensa, mialgia e náuseas. Negava artrite, artralgia ou coriza. No exame físico, chama atenção a hiperemia conjuntival, faringite e um exantema maculopapular com descamação. Não há relato de caso semelhante em sua região. O paciente é missionário e refere viagem para a Guiné há 15 dias. Caso o paciente desenvolva choque associado a fenômenos hemorrágicos, sem quadro respiratório relevante, a etiologia mais provável será:
Febre alta, hemorragias, choque, viagem para Guiné → Suspeitar fortemente de Ebola.
O quadro clínico de febre alta, mialgia, cefaleia, exantema, e a evolução para choque com fenômenos hemorrágicos, somado ao histórico de viagem para a Guiné (região endêmica para Ebola em 2015), são altamente sugestivos de Doença pelo Vírus Ebola (DVE). A ausência de quadro respiratório relevante ajuda a diferenciar de outras viroses.
A Doença pelo Vírus Ebola (DVE) é uma febre hemorrágica viral grave e frequentemente fatal, causada pelo vírus Ebola. É uma condição de alta relevância em saúde pública devido à sua elevada letalidade e potencial de surtos epidêmicos, como o ocorrido na África Ocidental em 2014-2016, que incluiu a Guiné. O reconhecimento precoce é vital para o isolamento e manejo adequado, sendo um tema importante para a formação de residentes. O quadro clínico inicial da DVE é inespecífico, mimetizando outras doenças tropicais, com febre alta, cefaleia, mialgia, fadiga e náuseas. No entanto, a progressão para sintomas gastrointestinais graves (vômitos, diarreia), erupções cutâneas e, crucialmente, manifestações hemorrágicas (petéquias, equimoses, sangramentos de mucosas e órgãos internos) em um paciente com histórico epidemiológico de viagem para área de risco, deve levantar forte suspeita. A evolução para choque associado a fenômenos hemorrágicos, sem um quadro respiratório proeminente, é um achado clássico da DVE. O diagnóstico diferencial inclui outras febres hemorrágicas virais (Lassa, Marburg, Dengue grave), malária e sepse. O manejo é de suporte intensivo, com foco na reposição volêmica, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e controle de sangramentos, além de medidas rigorosas de controle de infecção.
Os sintomas iniciais do Ebola são inespecíficos e incluem febre alta súbita, fadiga intensa, mialgia, cefaleia e dor de garganta. Estes progridem para vômitos, diarreia, erupção cutânea e, em alguns casos, sangramentos internos e externos.
O histórico de viagem para regiões com surtos ativos de Ebola (como a Guiné em 2015) é um fator epidemiológico chave. A exposição a fluidos corporais de pessoas ou animais infectados é a principal via de transmissão, tornando a anamnese fundamental.
As complicações mais graves incluem choque hipovolêmico, falência de múltiplos órgãos, coagulopatia com fenômenos hemorrágicos graves e disfunção renal e hepática. A taxa de letalidade pode ser muito alta.
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