FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva, caracterizada por sintomas motores como tremor, rigidez e lentidão de movimentos. O tratamento farmacológico visa, principalmente, à reposição ou ao aumento da dopamina cerebral, para melhorar a função motora. Sobre as abordagens terapêuticas e de efeitos adversos no manejo da doença de Parkinson, assinale a alternativa correta:
Idoso + Parkinson + Cognição ↓ → Evitar anticolinérgicos (risco de delirium e alucinações).
O tratamento do Parkinson deve ser individualizado; anticolinérgicos são eficazes para o tremor, mas perigosos em idosos devido ao alto risco de toxicidade cognitiva.
A Doença de Parkinson exige uma estratégia terapêutica que equilibre o controle dos sintomas motores (tremor, rigidez, bradicinesia) com a minimização dos efeitos colaterais. A Levodopa continua sendo o padrão-ouro, mas o momento de seu início e o manejo de suas complicações motoras são desafios constantes. Em pacientes idosos ou com comprometimento cognitivo prévio, a segurança torna-se a prioridade. Anticolinérgicos, embora úteis para o tremor em pacientes jovens, são evitados nessa população devido ao risco de delirium. Da mesma forma, inibidores da MAO-B (como selegilina e rasagilina) e agonistas dopaminérgicos devem ser usados com cautela. A alternativa correta da questão destaca justamente essa precaução fundamental na geriatria e neurologia: o risco neuropsiquiátrico dos anticolinérgicos.
Os anticolinérgicos (como o biperideno e o triexifenidil) atuam bloqueando os receptores muscarínicos para compensar o desequilíbrio entre dopamina e acetilcolina no estriado. No entanto, em idosos, a reserva colinérgica central já está reduzida. O bloqueio desses receptores em áreas corticais e no hipocampo leva a efeitos adversos graves, como confusão mental, alucinações, prejuízo de memória e declínio cognitivo, além de efeitos periféricos como retenção urinária e glaucoma.
Embora a Levodopa seja o fármaco mais eficaz para os sintomas motores, seu uso prolongado (geralmente após 5 a 10 anos) está associado ao desenvolvimento de complicações motoras em cerca de 50% a 90% dos pacientes. Estas incluem as flutuações motoras (fenômeno 'wearing-off', onde o efeito da dose dura menos tempo) e as discinesias (movimentos involuntários anormais), causadas pela estimulação dopaminérgica pulsátil dos receptores estriatais.
A Amantadina é um fármaco com múltiplos mecanismos, incluindo ação dopaminérgica fraca e, principalmente, antagonismo dos receptores NMDA (glutamatérgicos). Na prática clínica moderna, seu uso principal não é como terapia inicial, mas sim como adjuvante para o controle das discinesias induzidas pela levodopa. Seus efeitos colaterais incluem livedo reticular, edema de tornozelo e, em idosos, também pode causar confusão mental.
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