INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Homem de 69 anos apresenta quadro de bradicinesia, iniciado há 6 meses, com lentidão dos movimentos e dificuldade para amarrar sapatos, abotoar roupas, digitar. Ao caminhar, apresenta passos mais curtos e sensação de instabilidade. Concomitantemente, apresenta tremores nas mãos, de repouso, associada a rigidez, além de alteração olfativa, constipação intestinal de 3 dias e alteração do padrão do sono. Nega alterações de memória e cognição. No exame físico, o paciente apresentava bom estado geral, altura 1,80 m, peso de 85 kg, menor expressividade facial, marcha com inclinação anterior lenta e arrastada, pulmões com murmúrio vesicular preservado, coração rítmico em 2 tempos a 80 batimentos por minuto, pressão arterial de 120 × 80 mmHg, abdome plano e sem visceromegalias. No exame neurológico, mostrou: diminuição dos movimentos dos braços, tremores assimétricos das mãos na manobra dos braços estendidos, movimentos alternados com assimetria e lentidão, e hipertonia em roda dentada. Ressonância magnética realizada há 2 semanas constatou: redução da espessura da pars compacta e maior grau de hipointensidade de sinal no putâmen, com atrofia cerebral compatível para a sua idade.A principal hipótese diagnóstica nesse caso é
Parkinson: bradicinesia + tremor de repouso assimétrico + rigidez em roda dentada + instabilidade postural + sintomas não motores (anosmia, constipação, sono).
A Doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo caracterizado pela tríade clássica de bradicinesia, tremor de repouso (tipicamente assimétrico) e rigidez, além de instabilidade postural. Sintomas não motores como anosmia, constipação e distúrbios do sono REM são comuns e podem preceder os sintomas motores.
A Doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais comum, caracterizada pela perda progressiva de neurônios dopaminérgicos na pars compacta da substância negra. A idade é o principal fator de risco, e a doença geralmente se manifesta após os 60 anos. É uma condição crônica e progressiva que impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes, sendo crucial o diagnóstico precoce e o manejo adequado. O diagnóstico da DP é essencialmente clínico, baseado na presença de bradicinesia associada a pelo menos um dos seguintes: tremor de repouso (tipicamente assimétrico e de 4-6 Hz) ou rigidez (fenômeno de 'roda dentada'). A instabilidade postural surge em fases mais avançadas. Além dos sintomas motores, a DP é frequentemente precedida e acompanhada por uma série de sintomas não motores, como anosmia, constipação crônica, distúrbios do sono REM (com sonhos vívidos e atuação), depressão e ansiedade, que podem surgir anos antes dos sintomas motores. O tratamento da DP é sintomático e visa repor a dopamina ou mimetizar sua ação, sendo a levodopa a medicação mais eficaz. Outras opções incluem agonistas dopaminérgicos, inibidores da MAO-B e inibidores da COMT. A reabilitação física e ocupacional também é fundamental. O prognóstico varia, mas a doença é progressiva, e o manejo multidisciplinar é essencial para otimizar a qualidade de vida do paciente.
Os principais sintomas motores da Doença de Parkinson são a bradicinesia (lentidão dos movimentos), tremor de repouso (geralmente assimétrico), rigidez (muitas vezes em 'roda dentada') e instabilidade postural.
Sintomas não motores comuns na Doença de Parkinson incluem anosmia (perda do olfato), constipação intestinal, distúrbios do sono REM (como distúrbio comportamental do sono REM), depressão, ansiedade e dor.
A ressonância magnética cerebral é geralmente normal na Doença de Parkinson, mas pode ajudar a excluir outras causas de parkinsonismo. Em alguns casos, pode-se observar redução da espessura da pars compacta da substância negra ou hipointensidade no putâmen, embora esses achados não sejam diagnósticos por si só.
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