FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024
Um adolescente de quinze anos de idade queixa‑se de dor no joelho esquerdo há quatro meses. Refere que a dor piora durante a atividade física e ao subir escadas. Pratica futebol regularmente. Nega febre e comorbidades. No exame físico, joelho esquerdo com discreto edema infrapatelar, sem sinais de calor local ou hiperemia, com dor à palpação. O restante do exame físico musculoesquelético sem alterações. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.
Adolescente atleta com dor no joelho (infrapatelar), piora com atividade e palpação da tuberosidade tibial = Doença de Osgood-Schlatter.
A Doença de Osgood-Schlatter é uma apofisite de tração comum em adolescentes ativos, especialmente meninos. Caracteriza-se por dor na tuberosidade tibial, exacerbada pela atividade física, devido à tração repetitiva do tendão patelar no osso em crescimento.
A Doença de Osgood-Schlatter é uma condição ortopédica comum em adolescentes, caracterizada por dor e inchaço na tuberosidade tibial, logo abaixo da patela. É mais frequente em meninos entre 10 e 15 anos de idade, especialmente aqueles que praticam esportes que envolvem corrida, saltos e mudanças rápidas de direção, como futebol, basquete e ginástica. A condição é considerada uma apofisite de tração, resultante de microtraumas repetitivos no ponto de inserção do tendão patelar na tuberosidade tibial, que é uma área de cartilagem de crescimento (apófise) ainda imatura e vulnerável. Clinicamente, os pacientes queixam-se de dor na região anterior do joelho, que piora com a atividade física e alivia com o repouso. Ao exame físico, observa-se sensibilidade à palpação e, por vezes, uma proeminência óssea na tuberosidade tibial. O diagnóstico é essencialmente clínico, embora radiografias possam ser realizadas para excluir outras patologias ou para visualizar fragmentação da apófise. O tratamento é conservador e foca no alívio da dor, repouso relativo, aplicação de gelo, alongamento da musculatura posterior da coxa e quadríceps, e, em alguns casos, fisioterapia. A condição geralmente se resolve espontaneamente com o fechamento das placas de crescimento. Para residentes, é crucial saber identificar a Doença de Osgood-Schlatter pela sua apresentação clínica clássica, diferenciando-a de outras causas de dor no joelho em adolescentes, como a doença de Sinding-Larsen-Johansson (que afeta o polo inferior da patela), condromalácia patelar, epifisiólise da cabeça do fêmur (que pode se manifestar como dor referida no joelho) ou doença de Legg-Calvé-Perthes (necrose avascular da cabeça do fêmur). O manejo adequado e a orientação aos pacientes e seus pais sobre a natureza benigna e autolimitada da condição são aspectos importantes da prática médica.
Os sintomas típicos incluem dor na região anterior do joelho, especificamente na tuberosidade tibial, que piora com a atividade física (correr, pular, subir escadas) e melhora com o repouso. Pode haver inchaço e sensibilidade à palpação na tuberosidade tibial, e em alguns casos, uma proeminência óssea palpável.
A Doença de Osgood-Schlatter é uma apofisite de tração, causada por microtraumas repetitivos no ponto de inserção do tendão patelar na tuberosidade tibial, que é uma apófise (centro de ossificação secundário) ainda em crescimento. A tração excessiva leva a inflamação, microfraturas e, por vezes, avulsão parcial do osso ou cartilagem.
A diferenciação é feita pela localização específica da dor (tuberosidade tibial), história de atividade física intensa e exame físico. Diferenciais incluem condromalácia patelar (dor retropatelar), síndrome da dor patelofemoral (dor difusa na patela), doença de Sinding-Larsen-Johansson (dor no polo inferior da patela) e, menos comum, tumores ou infecções.
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