FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Menino de 11 anos, está em acompanhamento com endocrinologista devido a obesidade e síndrome metabólica, apesar de ser um pré-adolescente bastante ativo, que joga bola no mínimo 5 vezes na semana. Há cerca de 6 meses vem se queixando de dor importante na perna direita. A dor é pior ao fim do dia e é de maior intensidade nos dias sem que ele joga futebol, levando o paciente a claudicar. Não há edema local nem dor e sem outras articulações. Nega qualquer outra queixa. Ao exame físico: dor à palpação da porção anterior proximal da tíbia direita, logo abaixo do joelho. Foi realizada radiografia de ambos os joelhos, disponíveis a seguir: A principal hipótese diagnóstica para lesão apresentada pelo paciente é:
Dor na tuberosidade anterior da tíbia em adolescente ativo → Doença de Osgood-Schlatter.
A Doença de Osgood-Schlatter é uma apofisite por tração do tendão patelar na tuberosidade da tíbia, típica de adolescentes em fase de crescimento rápido e praticantes de esportes de impacto.
A Doença de Osgood-Schlatter é uma das causas mais comuns de dor no joelho na população pediátrica, especificamente na transição para a adolescência. O quadro clínico de dor insidiosa, exacerbada pelo exercício e aliviada pelo repouso, localizado especificamente na tuberosidade anterior da tíbia, é patognomônico quando associado ao exame físico sugestivo. Embora a radiografia possa mostrar fragmentação óssea, o médico deve estar atento para não confundir com fraturas agudas por avulsão, que apresentam início súbito e incapacidade funcional imediata. O manejo foca na educação do paciente e da família sobre a natureza benigna e autolimitada da doença, priorizando o controle da dor e a manutenção da atividade física dentro dos limites de tolerância do paciente.
A condição decorre de microtraumas de repetição causados pela tração excessiva do tendão patelar sobre a apófise da tuberosidade anterior da tíbia (TAT), que ainda não está totalmente ossificada no adolescente. Esse estresse mecânico leva a um processo inflamatório local e, em alguns casos, à fragmentação óssea visível na radiografia. É classicamente associada a esportes que envolvem saltos, corridas e chutes, como futebol e basquete, ocorrendo tipicamente entre os 10 e 15 anos de idade.
O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de dor à atividade física e dor à palpação da TAT. Exames de imagem como a radiografia de perfil do joelho são úteis para confirmar a hipótese e excluir outras patologias. Os achados típicos incluem o aumento de partes moles sobre a tuberosidade, irregularidade ou fragmentação do núcleo de ossificação da TAT e, em fases crônicas, a presença de ossículos intratendíneos ou proeminência óssea residual.
O tratamento é conservador na grande maioria dos casos. Envolve repouso relativo (redução da carga de treino, sem necessariamente interromper a atividade), aplicação de gelo local após exercícios, uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em fases agudas e fisioterapia para alongamento da cadeia posterior e fortalecimento de quadríceps. A condição é autolimitada e tende a resolver-se com o fechamento da placa de crescimento da tuberosidade tibial.
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