Doença de Ogilvie: Diagnóstico e Manejo em Idosos

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 90 anos está internado na UTI em decorrência de AVE isquêmico extenso. Evoluiu com importante distensão abdominal, sem vômitos ou regurgitação pelo CNG. A tomografia de abdome mostra distensão de colon, ceco de 10cm de diâmetro, sem dilatação de delgado e sem gastroparesia. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Trombose mesentérica
  2. B) Doença de Ogilvie
  3. C) Íleo adinamico
  4. D) Neoplasia de reto

Pérola Clínica

Doença de Ogilvie = pseudo-obstrução colônica aguda em idosos/doentes críticos, com distensão maciça do cólon (ceco > 10cm) sem obstrução mecânica.

Resumo-Chave

A Doença de Ogilvie é uma pseudo-obstrução colônica aguda, comum em pacientes idosos e criticamente enfermos (pós-cirurgia, trauma, sepse, doenças neurológicas como AVE). Caracteriza-se por dilatação maciça do cólon, especialmente ceco e cólon direito, sem evidência de obstrução mecânica em exames de imagem, com risco de perfuração se não tratada.

Contexto Educacional

A Doença de Ogilvie, também conhecida como pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição caracterizada por dilatação maciça do cólon, sem evidência de obstrução mecânica. É mais frequentemente observada em pacientes idosos e criticamente enfermos, com comorbidades como trauma, cirurgia recente, sepse ou distúrbios neurológicos como o acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico extenso, como no caso apresentado. A fisiopatologia envolve uma desregulação do sistema nervoso autonômico intestinal, levando à dismotilidade colônica. O diagnóstico é feito pela apresentação clínica de distensão abdominal e pela exclusão de obstrução mecânica através de exames de imagem, como a tomografia computadorizada de abdome, que mostrará dilatação do cólon, especialmente do ceco e cólon direito, sem transição abrupta ou massa obstrutiva. O manejo inicial é conservador, com suporte clínico, suspensão de medicamentos que afetam a motilidade e correção de eletrólitos. Se houver risco de perfuração (ceco > 12 cm) ou falha do tratamento conservador, a neostigmina intravenosa pode ser utilizada para estimular a motilidade colônica. Em casos refratários, a descompressão colonoscópica é uma opção. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar complicações graves como a perfuração colônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para a Doença de Ogilvie?

Os fatores de risco incluem idade avançada, doenças graves (sepse, insuficiência cardíaca ou respiratória), trauma, cirurgias recentes (especialmente abdominais ou ortopédicas), distúrbios neurológicos (AVE, lesão medular) e uso de certos medicamentos (opioides, anticolinérgicos).

Como é feito o diagnóstico da Doença de Ogilvie?

O diagnóstico é clínico e radiológico. A tomografia computadorizada de abdome é essencial para confirmar a dilatação colônica (especialmente ceco > 10 cm) e, crucialmente, excluir uma obstrução mecânica, que é o principal diferencial.

Qual o tratamento inicial para a Doença de Ogilvie?

O tratamento inicial é de suporte, incluindo suspensão de medicamentos que afetam a motilidade intestinal, correção de distúrbios eletrolíticos e descompressão nasogástrica. Se o ceco estiver muito dilatado (>12 cm) ou houver falha no tratamento conservador, pode-se usar neostigmina ou realizar descompressão colonoscópica.

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