Doença Mista do Tecido Conjuntivo: Diagnóstico e Manifestações

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 34 anos, branca, com febre, astenia e emagrecimento há 8 meses. Nesse período esteve em tratamento com neurologista para crises agudas de dor intensa na região lateral da face direita. Refere fenômeno de Raynaud há cerca de 1 ano, tosse seca e dispneia há 2 meses, com piora progressiva. Ao exame, edema de quirodáctilos, estertores crepitantes em bases pulmonares bilateralmente e força proximal simétrica grau 3 em membros superiores e inferiores. Exames complementares: FAN 1:640 nuclear pontilhado grosso, VHS 77mm (VR < 15), CPK 568 U/L (N: < 180). Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Miosite por Corpúsculo de inclusão.
  2. B) Lúpus eritematoso sistêmico.
  3. C) Esclerose sistêmica.
  4. D) Doença mista do tecido conjuntivo.
  5. E) Polimiosite.

Pérola Clínica

DMTC = superposição de LES, esclerose sistêmica e polimiosite, com FAN pontilhado grosso e anti-U1-RNP.

Resumo-Chave

A Doença Mista do Tecido Conjuntivo (DMTC) é uma síndrome de superposição caracterizada por manifestações clínicas de Lúpus Eritematoso Sistêmico, Esclerose Sistêmica e Polimiosite/Dermatomiosite. O diagnóstico é fortemente sugerido pela presença de FAN com padrão pontilhado grosso e, laboratorialmente, pela detecção de anticorpos anti-U1-RNP em altos títulos.

Contexto Educacional

A Doença Mista do Tecido Conjuntivo (DMTC) é uma entidade clínica fascinante na reumatologia, caracterizada pela superposição de características de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), Esclerose Sistêmica e Polimiosite/Dermatomiosite. Embora rara, sua identificação é crucial para o manejo adequado, pois o prognóstico e o tratamento podem diferir das doenças isoladas. É um diagnóstico importante para residentes, pois exige uma visão integrativa das doenças autoimunes. A fisiopatologia da DMTC envolve uma resposta autoimune direcionada contra o complexo ribonucleoproteico U1-RNP. Clinicamente, os pacientes frequentemente apresentam fenômeno de Raynaud, edema de quirodáctilos, artrite, miosite, esclerodactilia e envolvimento pulmonar (doença pulmonar intersticial ou hipertensão pulmonar). O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e sorológicos, sendo o anticorpo anti-U1-RNP em altos títulos o marcador mais específico, geralmente acompanhado de um FAN com padrão pontilhado grosso. O tratamento da DMTC é individualizado e visa controlar as manifestações predominantes, utilizando corticosteroides, imunossupressores (como metotrexato, azatioprina) e terapias direcionadas para sintomas específicos, como vasodilatadores para o fenômeno de Raynaud ou inibidores da bomba de prótons para esofagite. O prognóstico varia, mas o envolvimento pulmonar, especialmente a hipertensão pulmonar, é uma das principais causas de morbimortalidade e requer monitoramento e tratamento agressivos.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da Doença Mista do Tecido Conjuntivo?

A DMTC manifesta-se com características de lúpus (artrite, serosite), esclerose sistêmica (fenômeno de Raynaud, esclerodactilia, envolvimento pulmonar) e polimiosite (fraqueza muscular proximal, CPK elevada). Edema de quirodáctilos e hipertensão pulmonar são comuns.

Qual o papel do FAN e do anti-U1-RNP no diagnóstico da DMTC?

O FAN (Fator Antinuclear) com padrão pontilhado grosso é um achado comum e sugestivo na DMTC. O anticorpo anti-U1-RNP em altos títulos é o marcador sorológico distintivo e essencial para o diagnóstico da Doença Mista do Tecido Conjuntivo, diferenciando-a de outras colagenoses.

Como diferenciar a DMTC de outras doenças do tecido conjuntivo?

A DMTC se diferencia pela presença de uma superposição de sintomas de LES, esclerose sistêmica e polimiosite, juntamente com o anticorpo anti-U1-RNP em altos títulos. Outras doenças tendem a ter um perfil de autoanticorpos e um conjunto de sintomas mais específicos para cada entidade.

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