HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025
Homem, de 67 anos de idade, com diagnóstico prévio de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus do tipo 2 insulino-requerente e doença renal crônica com doença mineral óssea associada, vem em consulta ambulatorial de acompanhamento da doença renal. Está assintomático e seu exame físico está normal. Faz uso de enalapril 10mg/dia, anlodipino 5mg/dia, hidroclorotiazida 25mg/dia, colecalciferol 14.000UI por semana, insulina NPH 10UI antes do café da manhã, do almoço e às 22 horas, e insulina regular 6UI antes do café da manhã, 8UI antes do almoço e 4 UI antes do jantar. Traz os seguintes exames laboratoriais: Qual é a conduta indicada neste momento para o manejo de doença mineral óssea?
DRC + DMO-DRC → Calcitriol para suprimir PTH e otimizar metabolismo ósseo.
Em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) e Doença Mineral Óssea (DMO-DRC), a introdução de calcitriol (vitamina D ativa) é uma conduta indicada para suprimir o hiperparatireoidismo secundário, que é uma complicação comum da DRC devido à diminuição da síntese renal de calcitriol e retenção de fosfato.
A Doença Mineral Óssea da Doença Renal Crônica (DMO-DRC) é uma complicação sistêmica comum e grave da DRC, caracterizada por alterações no metabolismo mineral (cálcio, fósforo, PTH e vitamina D), anomalias no turnover ósseo, mineralização, volume ou força, e calcificação vascular ou de tecidos moles. É uma condição que contribui significativamente para a morbimortalidade dos pacientes renais crônicos, sendo crucial seu diagnóstico e manejo precoce. A fisiopatologia da DMO-DRC é complexa e envolve principalmente o hiperparatireoidismo secundário, resultante da diminuição da produção renal de calcitriol (vitamina D ativa) e da retenção de fosfato, que levam à hipocalcemia e estimulam a secreção de PTH. O diagnóstico baseia-se na monitorização regular de cálcio, fósforo, PTH e fosfatase alcalina. A suspeita deve ser levantada em qualquer paciente com DRC, especialmente nos estágios mais avançados. O tratamento da DMO-DRC visa controlar o hiperparatireoidismo secundário e manter os níveis de cálcio e fósforo dentro das metas. A introdução de calcitriol (ou análogos da vitamina D ativa) é uma conduta fundamental, pois suprime a secreção de PTH e melhora a absorção intestinal de cálcio. Outras estratégias incluem o uso de quelantes de fósforo para controlar a hiperfosfatemia e, em casos selecionados, calcimiméticos como o cinacalcete. A monitorização contínua é essencial para ajustar a terapia e prevenir complicações.
A principal causa é a diminuição da síntese renal de calcitriol (vitamina D ativa) e a retenção de fosfato, que levam à hipocalcemia e estimulam a secreção de PTH pelas glândulas paratireoides, resultando em hiperplasia e hiperfunção.
O calcitriol é a forma ativa da vitamina D e não requer hidroxilação renal, que está comprometida na DRC. Assim, ele pode atuar diretamente na supressão do PTH e na regulação do cálcio e fósforo, ao contrário do colecalciferol que precisa ser ativado pelo rim.
Os objetivos incluem o controle dos níveis de PTH, cálcio e fósforo séricos dentro das metas recomendadas, a prevenção da progressão da doença óssea, a redução do risco de fraturas e a diminuição da morbimortalidade cardiovascular associada à DMO-DRC.
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