Sepse Meningocócica Pediátrica: Manejo Urgente e Profilaxia

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 4 anos vem para consulta médica com quadro de febre e lesões arroxeadas em pele de início há algumas horas e queda do estado geral. Genitora relata que paciente começou quadro de febre, cefaleia, mialgia e vômitos há menos de 24 horas com piora rápida e progressiva do quadro, tendo evoluído com lesões purpúricas em tronco e membros. Nega outras queixas. Nega comorbidades. Cartão vacinal sem vacinas registradas desde os 5 meses de idade. Ao exame: estado geral decaído, hipocorado, sudoreico, hidratação limítrofe, pulsos finos, ritmo cardíaco regular em dois tempos com bulhas normofonéticas, frequência cardíaca de 165bpm; murmúrio vesicular presente sem ruídos adventícios e com taquidispneia; abdome depressível, indolor e sem visceromegalias. Lesões purpúricas em tronco e membros e exame neurológico meníngeo inconclusivo com presença de hipotonia muscular. Diante da sua hipótese diagnóstica, quais seriam as condutas mais adequadas?

Alternativas

  1. A) Estabilizar paciente com hidratação venosa 20mL/Kg; iniciar antibiótico venoso; realizar exames complementares e indicar profilaxia nos familiares que viviam com o paciente.
  2. B) Transferir para serviço de referência para seguimento clínico e tratar todos os profissionais que tiveram qualquer contato com o paciente.
  3. C) Iniciar hidratação venosa com 20 mL/kg de solução balanceada; solicitar vaga de UTI e aguardar exames complementares para realização de outras medidas terapêuticas.
  4. D) Realizar hidratação venosa e antibiótico na primeira hora de atendimento, além de manter paciente no leito mais visível à equipe de enfermagem, para melhor monitoramento. Indicar profilaxia apenas para os familiares que dormiam no mesmo quarto.
  5. E) Ofertar hidratação venosa 10 mL/Kg em 1 hora com solicitação de exames séricos ao término dessa fase e manter paciente internado em monitorização contínua.

Pérola Clínica

Suspeita de sepse meningocócica com choque → estabilização imediata (fluidos 20mL/Kg) + ATB venoso + profilaxia contatos.

Resumo-Chave

A doença meningocócica invasiva com choque séptico é uma emergência pediátrica que exige reconhecimento rápido e intervenção agressiva. A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos, antibioticoterapia empírica de amplo espectro e medidas de controle de infecção, como a profilaxia para contatos próximos.

Contexto Educacional

A doença meningocócica invasiva (DMI), causada pela bactéria Neisseria meningitidis, é uma infecção grave que pode se manifestar como meningite, sepse meningocócica (meningococcemia) ou ambas. É uma emergência médica, especialmente em crianças, devido à sua rápida progressão e alta letalidade. A apresentação com febre, queda do estado geral e lesões purpúricas (purpura fulminans) é altamente sugestiva de meningococcemia com choque séptico. O diagnóstico é clínico e epidemiológico, sendo confirmado por cultura de sangue ou líquor, ou PCR. No entanto, o tratamento não deve ser atrasado pela espera dos resultados. A conduta inicial para um paciente em choque séptico inclui a estabilização hemodinâmica com reposição volêmica agressiva (bolus de 20 mL/kg de cristaloide), suporte ventilatório se necessário, e início imediato de antibioticoterapia empírica intravenosa (geralmente ceftriaxona ou cefotaxima). Além do tratamento do paciente, a profilaxia dos contatos próximos é uma medida crucial de saúde pública para conter a disseminação da doença. Familiares, cuidadores e outros indivíduos com contato íntimo devem receber quimioprofilaxia com antibióticos específicos. A vacinação contra o meningococo é a principal medida preventiva a longo prazo, e a atualização do cartão vacinal é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para sepse meningocócica em crianças?

Sinais de alerta incluem febre alta, prostração, irritabilidade, vômitos, cefaleia intensa, rigidez de nuca (nem sempre presente em crianças pequenas), e o surgimento rápido de lesões purpúricas ou petequiais na pele.

Qual a conduta inicial para choque séptico em criança com suspeita de meningococcemia?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com bolus de fluidos intravenosos (20 mL/kg de solução cristaloide em 5-10 minutos), coleta de culturas (hemocultura) e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ex: ceftriaxona).

Quem deve receber profilaxia para doença meningocócica invasiva?

A profilaxia é indicada para contatos próximos do caso índice, como familiares que residem na mesma casa, parceiros íntimos, e profissionais de saúde que tiveram contato direto com secreções respiratórias sem proteção adequada. Medicamentos como rifampicina, ciprofloxacino ou ceftriaxona podem ser usados.

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