Doença Meningocócica na Infância: Diagnóstico e Conduta na UBS

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um pré-escolar de 3 anos, previamente hígido, é trazido pela mãe à unidade básica de saú de (UBS), com febre, cefaleia e vômitos em jato há 1 dia. A mãe nega que ele tenha apresentado diarreia, sintomas respiratórios, problemas no ouvido ou na garganta. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, desidratado (2+/4+), sonolento e irritado, com fácies de dor e choroso. A otoscopia e a oroscopia apresentam-se sem alterações, assim como a ausculta cardíaca e a respiratória. Abdome indolor à palpação. Nota-se presença de petéquias em tronco e em extremidades. A frequência respiratória da criança é de 38 incursões respiratórias por minuto, a frequência cardíaca de 130 batimentos por minuto e a temperatura axilar de 38,5 °C.A mãe relata que possui outros dois filhos, um de 6 meses e outro de 5 anos, e que os três frequentam a creche local. Atualmente, a família reside em um lugar onde o clima está seco e frio, distante 3 horas do serviço de urgência e considerado sem risco para contração de malária.A partir desse caso clínico, faça o que se pede nos itens a seguir.a) Cite o achado adicional do exame físico que precisa ser investigado na definição diagnóstica. (valor: 1,0 ponto)b) Considerando os critérios clínico-epidemiológicos, qual é a principal hipótese diagnóstica? (valor: 2,0 pontos)c) Cite seis condutas a serem instituídas imediatamente na UBS para tratar esse paciente. Serão consideradas para fins de correção apenas as seis primeiras condutas indicadas. (valor: 4,0 pontos)d) Cite cinco medidas de vigilância em saúde recomendadas para esse caso. Serão consideradas para fins de correção apenas as cinco primeiras medidas indicadas. (valor: 3,0 pontos)

Alternativas

Pérola Clínica

Febre + Petéquias + Sinais Meníngeos = Doença Meningocócica até prova em contrário.

Resumo-Chave

A doença meningocócica é uma emergência pediátrica de evolução rápida; a administração da primeira dose de antibiótico não deve ser retardada por exames em locais remotos.

Contexto Educacional

A doença meningocócica, causada pela Neisseria meningitidis, manifesta-se como meningite, meningococcemia ou ambas. A tríade de febre, cefaleia e sinais de irritação meníngea, associada a um exantema petequial/purpúrico, é altamente sugestiva. O quadro clínico pode evoluir para choque séptico e falência múltipla de órgãos em poucas horas (púrpura fulminante). O diagnóstico é clínico-epidemiológico inicial, confirmado por cultura ou PCR de líquor/sangue. O tratamento não pode esperar: em unidades básicas ou locais remotos, a antibioticoterapia empírica com cefalosporina de 3ª geração deve ser feita imediatamente após a suspeita. A notificação compulsória é imediata (em até 24h) devido ao potencial epidêmico da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de irritação meníngea em crianças?

Em crianças acima de 1-2 anos, os sinais clássicos incluem a rigidez de nuca (resistência à flexão passiva do pescoço), o sinal de Kernig (dor ou resistência ao estender o joelho com a coxa flexionada) e o sinal de Brudzinski (flexão involuntária das pernas ao flexionar o pescoço). Em lactentes, esses sinais podem estar ausentes, sendo a abaulamento de fontanela, irritabilidade persistente e recusa alimentar os indícios mais importantes. No caso descrito, a pesquisa de rigidez de nuca é o achado adicional fundamental para o diagnóstico de meningite.

Qual a conduta imediata diante de suspeita de meningococcemia na UBS?

A prioridade é a estabilização hemodinâmica e o início precoce da antibioticoterapia. As condutas incluem: 1) Garantir via aérea e oxigenação; 2) Acesso venoso ou intraósseo imediato; 3) Expansão volêmica com cristaloide (20ml/kg); 4) Administração da primeira dose de antibiótico (Ceftriaxone 100mg/kg); 5) Coleta de exames se possível (hemocultura, hemograma), sem atrasar o tratamento; 6) Organização de transporte de emergência (vaga zero) para unidade de terapia intensiva.

Como deve ser feita a quimioprofilaxia para contatos?

A quimioprofilaxia é indicada para contatos próximos (familiares, pessoas que dormem na mesma casa, contatos de creche) para erradicar o estado de portador de Neisseria meningitidis na orofaringe. O medicamento de escolha costuma ser a Rifampicina (600mg 12/12h por 2 dias em adultos; doses ajustadas para crianças). Alternativas incluem Ceftriaxone (dose única IM) ou Ciprofloxacino (dose única oral para adultos). Deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras 24 horas após a identificação do caso índice e é uma medida de vigilância obrigatória.

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