FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Na emergência do Hospital de Ensino, criança de 6 meses é atendida com febre, palidez, prostração, vômitos, convulsões, manchas vermelhas no corpo, taquicardia e taquipneia. É internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com quadro de choque séptico indo a óbito no mesmo dia com suspeita diagnóstica de Doença Meningocócica (DM). O caso foi notificado às autoridades competentes. Na investigação epidemiológica, identificou-se que esta criança é irmã gêmea, portanto contato íntimo, de paciente de 6 meses internado há 3 dias em outro hospital da cidade com suspeita de Meningite. sendo que na baciloscopia do líquor cefalo raquidiano identificou-se diploccos gran negativo, sendo posteriormente confirmado na cultura Neisseria Meningitides Sorogrupo C. Este primeiro caso não foi notificado. As duas crianças tomaram aos 3 meses a 1ª dose Vacina conjugada contra o meningococo do sorogrupo C, conforme Carteira de Vacinação, porém estavam com as vacinas em atraso desde os 3 meses de idade. Pode-se afirmar que:
Meningite = notificação compulsória (suspeita). Notificação precoce → investigação + quimioprofilaxia de contatos.
A meningite é uma doença de notificação compulsória imediata, mesmo sob suspeita. A notificação precoce é crucial para acionar a vigilância epidemiológica, que investigará o caso, identificará os contatos íntimos e implementará a quimioprofilaxia para prevenir casos secundários.
A Doença Meningocócica (DM) é uma infecção bacteriana grave causada pela Neisseria meningitidis, que pode levar a meningite e/ou sepse, com alta letalidade e sequelas. No Brasil, é uma doença de notificação compulsória imediata, o que significa que a simples suspeita clínica já exige a comunicação à Vigilância Epidemiológica. A notificação precoce é um pilar fundamental da saúde pública, pois permite que as autoridades de saúde iniciem rapidamente a investigação epidemiológica. Esta investigação visa identificar a fonte da infecção, o sorogrupo envolvido e, crucialmente, os contatos íntimos do paciente. Para os contatos íntimos, a quimioprofilaxia é uma medida preventiva essencial, geralmente realizada com antibióticos como rifampicina, ciprofloxacino ou ceftriaxona, para erradicar a colonização bacteriana na nasofaringe e prevenir o desenvolvimento de casos secundários. A falha na notificação, como no caso apresentado, compromete todo o processo de controle e aumenta o risco de disseminação da doença na comunidade.
A meningite, especialmente a meningocócica, tem alto potencial de transmissão e gravidade. A notificação imediata permite a rápida atuação da vigilância epidemiológica para controlar a disseminação e prevenir novos casos na comunidade.
Contatos íntimos são pessoas que tiveram exposição próxima e prolongada às secreções respiratórias do paciente, como moradores da mesma casa, colegas de creche/escola, ou profissionais de saúde sem EPI adequado.
A quimioprofilaxia é fundamental para erradicar o estado de portador assintomático da bactéria na nasofaringe dos contatos, reduzindo o risco de desenvolvimento da doença e de transmissão secundária, especialmente em surtos.
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