Doença de Menière: Diagnóstico e Sintomas Chave

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 51a, procura Unidade Básica de Saúde para avaliação de tontura. Refere que há um ano teve episódio de perda auditiva esquerda, associado a zumbido. Nos últimos três meses, vem apresentado sensação de ambiente girando, com duração de 20 minutos a 5 horas, associada a náuseas e vômitos. Nega outras doenças ou uso de medicações. Traz exame de ressonância magnética de encéfalo, realizada há dois meses, sem anormalidades. Exame físico: T=36,5ºC; PA=124x88mmHg; FC=82bpm; FR=16irpm. A manobra de Dix Hallpike no lado esquerdo induziu tontura, sem nistagmo. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

  1. A) Vertigem posicional paroxística benigna.
  2. B) Neurite vestibular.
  3. C) Acidente vascular vertebrobasilar.
  4. D) Doença de Menière.

Pérola Clínica

Menière = Vertigem episódica + perda auditiva flutuante + zumbido/plenitude auricular.

Resumo-Chave

A Doença de Menière é caracterizada pela tríade clássica de vertigem episódica (duração de minutos a horas), perda auditiva flutuante (geralmente unilateral e progressiva) e zumbido, frequentemente acompanhada de sensação de plenitude auricular. O diagnóstico é clínico, e exames de imagem como a ressonância magnética são úteis para excluir outras causas de tontura.

Contexto Educacional

A Doença de Menière é uma condição crônica do ouvido interno que afeta o equilíbrio e a audição, sendo um diagnóstico importante no contexto da otoneurologia. Para residentes e estudantes de medicina, compreender seus critérios diagnósticos e diferenciais é fundamental para a prática clínica e para as provas de residência, dada a complexidade das queixas de tontura. Caracteriza-se pela tríade de sintomas: episódios recorrentes de vertigem (sensação de ambiente girando) com duração de 20 minutos a 12 horas, perda auditiva neurossensorial flutuante (geralmente unilateral e progressiva) e zumbido no ouvido afetado, frequentemente acompanhada de sensação de plenitude auricular. A fisiopatologia subjacente é a hidropsia endolinfática, um acúmulo excessivo de endolinfa no labirinto membranoso. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e nos achados otoneurológicos. Exames como a audiometria são cruciais para documentar a perda auditiva, e a ressonância magnética de encéfalo é importante para excluir outras patologias centrais. O tratamento da Doença de Menière visa controlar os sintomas e prevenir a progressão da perda auditiva. Inclui medidas dietéticas (restrição de sódio e cafeína), medicamentos para controle da vertigem (antieméticos, sedativos vestibulares) e diuréticos. Em casos refratários, podem ser consideradas injeções intratimpânicas de corticosteroides ou gentamicina, e, em último caso, procedimentos cirúrgicos. O prognóstico é variável, mas a maioria dos pacientes consegue controlar os sintomas com tratamento adequado, embora a perda auditiva possa progredir ao longo do tempo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Menière?

Os critérios diagnósticos incluem dois ou mais episódios espontâneos de vertigem com duração de 20 minutos a 12 horas, perda auditiva neurossensorial documentada em pelo menos uma ocasião, zumbido ou plenitude auricular no ouvido afetado, e exclusão de outras causas.

Qual a fisiopatologia da Doença de Menière?

A fisiopatologia da Doença de Menière está associada à hidropsia endolinfática, que é o acúmulo excessivo de endolinfa no labirinto membranoso do ouvido interno. Isso leva a um aumento da pressão, que pode romper as membranas e causar os sintomas característicos.

Como diferenciar a Doença de Menière de outras causas de vertigem?

A diferenciação é feita pela presença da tríade clássica (vertigem episódica, perda auditiva flutuante e zumbido/plenitude auricular). A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é de curta duração e desencadeada por movimentos da cabeça, sem sintomas auditivos. A Neurite Vestibular causa vertigem aguda prolongada, mas sem perda auditiva.

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