Doença de Ménière: Diagnóstico e Manejo Clínico

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 40 anos, sexo masculino, dá entrada no consultório com queixas de zumbido, vertigem rotatória, hipoacusia, sensação de plenitude aural, referindo que as tonturas duram em torno de meia hora e que após as crises apresenta melhora completa, ficando dias sem sentir nada. Em anamnese refere histórico de anafilaxia aos 25 anos, sem causa determinada, acredita-se por anti-inflamatórios. Diante deste quadro, provável diagnóstico relacionado à tontura é:

Alternativas

  1. A) Schwannoma do VII par craniano.
  2. B) Síndrome de Ménière.
  3. C) Doença do nó sinusal.
  4. D) Transtorno de ansiedade generalizada.

Pérola Clínica

Vertigem + Hipoacusia + Zumbido + Plenitude aural = Doença de Ménière.

Resumo-Chave

A Doença de Ménière é causada por hidropisia endolinfática, caracterizando-se por episódios recorrentes de vertigem espontânea associados a sintomas auditivos flutuantes.

Contexto Educacional

A Doença de Ménière é uma afecção do ouvido interno caracterizada por episódios espontâneos de vertigem, perda auditiva neurossensorial flutuante, zumbido e plenitude aural. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios da Bárány Society, exigindo pelo menos dois episódios de vertigem durando entre 20 minutos e 12 horas, perda auditiva documentada em audiometria e sintomas arais flutuantes. É fundamental excluir outras causas de vertigem episódica, como a migrânea vestibular, que pode mimetizar os sintomas auditivos, mas geralmente apresenta cefaleia associada. O tratamento visa o controle sintomático das crises agudas com supressores vestibulares e a prevenção de novos episódios para preservar a função auditiva e o equilíbrio do paciente.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a Doença de Ménière da VPPB?

A Doença de Ménière apresenta crises espontâneas de vertigem que duram de 20 minutos a 12 horas, acompanhadas de sintomas auditivos como hipoacusia e zumbido. Já a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é desencadeada por movimentos específicos da cabeça, dura apenas alguns segundos e não possui sintomas auditivos associados.

Qual a fisiopatologia da Doença de Ménière?

A base fisiopatológica é a hidropisia endolinfática, que consiste no aumento da pressão e do volume da endolinfa no labirinto membranoso. Isso pode ocorrer por hipersecreção ou, mais comumente, por deficiência na reabsorção do líquido pelo saco endolinfático, levando a distorções mecânicas e rupturas de membranas.

Quais as opções terapêuticas na fase intercrítica?

O manejo foca na redução da frequência das crises através de dieta hipossódica, restrição de cafeína e álcool. Farmacologicamente, utilizam-se diuréticos (como a clortalidona) e a betaistina. Em casos refratários, pode-se considerar infiltração intratimpânica de corticoides ou gentamicina.

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