Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025
Recém-nascida, sexo feminino, nascida de 32 semanas de gestação, filha de mãe diabética e com pré-natal irregular, nasceu por cesárea indicada devido à ruptura prematura de membranas há 36 horas, acompanhada de febre materna e taquicardia fetal. Ao nascer, apresentou Boletim de Apgar de 5 no primeiro minuto e 7 no quinto minuto. Com 30 minutos de vida, iniciou desconforto respiratório progressivo, caracterizado por taquipneia, retrações subcostais e gemência, com saturação de oxigênio de 86%, frequência respiratória de 72 ipm e frequência cardíaca de 160 bpm. Obtidos exames complementares com uma radiografia de tórax com opacidades difusas em padrão reticulogranular com broncogramas aéreos e gasometria arterial com pH 7,27; PaCO₂ 54 mmHg; PaO₂ 48 mmHg; HCO₃ ⁻ 20 mEq/L; BE -4. Baseado no diagnóstico mais provável, qual é o tratamento inicial mais indicado?
RN prematuro + desconforto respiratório progressivo + RX tórax reticulogranular = DMH → Surfactante exógeno + CPAP.
A Doença da Membrana Hialina (DMH) é a causa mais comum de desconforto respiratório em prematuros, agravada por fatores como mãe diabética. O tratamento inicial consiste em surfactante exógeno e suporte ventilatório não-invasivo (CPAP), visando melhorar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório.
A Doença da Membrana Hialina (DMH), também conhecida como Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) do Recém-Nascido, é a principal causa de morbidade e mortalidade em prematuros. Caracteriza-se pela deficiência de surfactante pulmonar, uma substância que reduz a tensão superficial nos alvéolos e impede seu colapso. Fatores como prematuridade extrema, diabetes materno e asfixia perinatal aumentam o risco de DMH. O quadro clínico se manifesta por desconforto respiratório progressivo nas primeiras horas de vida, com taquipneia, retrações, gemência e cianose. O diagnóstico é clínico e radiológico. A radiografia de tórax típica revela opacidades difusas em padrão reticulogranular (vidro moído) e broncogramas aéreos, indicando atelectasia e preenchimento alveolar. A gasometria arterial mostra hipoxemia e, por vezes, hipercapnia e acidose respiratória. A fisiopatologia envolve o colapso alveolar progressivo, levando à redução da área de troca gasosa e à formação de membranas hialinas nos alvéolos. O tratamento inicial mais indicado para a DMH é a administração de surfactante exógeno, que repõe o surfactante deficiente, e o suporte ventilatório não-invasivo, como a Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (CPAP). O CPAP ajuda a manter os alvéolos abertos e a reduzir o trabalho respiratório, diminuindo a necessidade de intubação e ventilação mecânica invasiva, que estão associadas a maiores riscos de complicações pulmonares. A corticoterapia antenatal é uma medida preventiva fundamental para acelerar a maturação pulmonar fetal.
Os principais fatores de risco incluem prematuridade, sexo masculino, asfixia perinatal, diabetes materno, parto cesariana sem trabalho de parto e gestações múltiplas.
O surfactante exógeno repõe o surfactante pulmonar endógeno deficiente em prematuros, reduzindo a tensão superficial nos alvéolos, prevenindo o colapso alveolar e melhorando a complacência pulmonar e a troca gasosa.
O CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) é preferível por ser menos invasivo, manter a capacidade residual funcional, reduzir o trabalho respiratório e diminuir a necessidade de ventilação mecânica, minimizando o risco de lesão pulmonar associada à ventilação.
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