Doença da Membrana Hialina: Diagnóstico e Tratamento no RN

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um recém-nascido de 27 semanas de idade gestacional, peso de nascimento de 890 g e nascido de parto cesáreo de urgência devido à pré-eclâmpsia materna, apresentou APGAR 1.º min = 3, 5.º min = 5 e 10.º min = 7. Foram realizadas manobras de reanimação neonatal e o paciente foi intubado em sala de parto. Na admissão na UTI neonatal, o paciente encontrava-se estabilizado em ventilação mecânica em modo assistido e controlado, com PEEP = 6 cmH2O, Pinsp = 15 cmH2O, frequência respiratória de 30 ipm e FiO2 = 50%. Realizou radiografia de tórax, que evidenciou infiltrado reticulogranular bilateral difuso, associado à presença de broncogramas aéreos. Com base na doença pulmonar diagnosticada no paciente desse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Ocorre devido à imaturidade pulmonar e à deficiência de surfactante, produzido e secretado pelo pneumócito tipo I. O tratamento envolve a administração de surfactante exógeno.
  2. B) Ocorre devido à imaturidade pulmonar e à deficiência de surfactante, produzido e secretado pelo pneumócito tipo II. O tratamento envolve a administração de corticoide pós-natal.
  3. C) Ocorre devido ao retardo de absorção de líquido pulmonar e o tratamento é expectante.
  4. D) Ocorre devido à imaturidade pulmonar e à deficiência de surfactante, produzido e secretado pelo pneumócito tipo II. O tratamento envolve a administração de surfactante exógeno.
  5. E) Ocorre devido à infecção e o tratamento envolve o uso de antibióticos.

Pérola Clínica

RN prematuro com desconforto respiratório grave + Rx tórax infiltrado reticulogranular = Doença da Membrana Hialina → Surfactante exógeno.

Resumo-Chave

A Doença da Membrana Hialina (DMH) é a principal causa de desconforto respiratório grave em recém-nascidos prematuros, decorrente da imaturidade pulmonar e deficiência de surfactante. O surfactante é produzido pelos pneumócitos tipo II e sua ausência leva ao colapso alveolar. O tratamento padrão é a administração de surfactante exógeno.

Contexto Educacional

A Doença da Membrana Hialina (DMH), também conhecida como Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) do recém-nascido, é uma das causas mais comuns de morbimortalidade em prematuros. Sua etiologia principal é a imaturidade pulmonar e a deficiência de surfactante, uma substância produzida pelos pneumócitos tipo II que reveste os alvéolos e reduz a tensão superficial, impedindo o colapso pulmonar ao final da expiração. A ausência ou insuficiência de surfactante leva à atelectasia progressiva, diminuição da complacência pulmonar, hipoxemia e acidose. O diagnóstico da DMH é clínico e radiológico. Clinicamente, o recém-nascido prematuro apresenta desconforto respiratório progressivo logo após o nascimento, com taquipneia, gemência, batimento de asas nasais, tiragem intercostal e subcostal, e cianose. A radiografia de tórax é característica, mostrando um padrão de infiltrado reticulogranular difuso (aspecto de 'vidro moído' ou 'pulmão branco') e broncogramas aéreos, que são as vias aéreas preenchidas por ar contrastando com os alvéolos colapsados. A gasometria arterial revela hipoxemia e acidose. O tratamento da DMH é baseado na administração de surfactante exógeno por via intratraqueal, o que melhora a complacência pulmonar e a oxigenação. Além disso, o suporte ventilatório (CPAP nasal ou ventilação mecânica) é fundamental para manter a oxigenação e ventilação adequadas. A prevenção com corticoide antenatal (betametasona ou dexametasona) para gestantes com risco de parto prematuro é uma medida eficaz para acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir a incidência e gravidade da DMH. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço das terapias e cuidados intensivos neonatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para a Doença da Membrana Hialina (DMH)?

Os principais fatores de risco são prematuridade (quanto menor a idade gestacional, maior o risco), sexo masculino, diabetes materno, asfixia perinatal, gestação múltipla e ausência de uso de corticoide antenatal.

Como a radiografia de tórax auxilia no diagnóstico da DMH?

A radiografia de tórax na DMH tipicamente mostra um padrão de infiltrado reticulogranular difuso (aspecto de 'vidro moído') e broncogramas aéreos, que refletem o colapso alveolar e a presença de ar nos brônquios dilatados.

Qual o papel do pneumócito tipo II na produção de surfactante?

Os pneumócitos tipo II são as células responsáveis pela produção, armazenamento e secreção do surfactante pulmonar, uma substância lipoproteica que reduz a tensão superficial nos alvéolos, prevenindo seu colapso e facilitando a troca gasosa.

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