SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
A doença da membrana hialina é uma causa comum de insuficiência respiratória em recémnascidos prematuros. Assinale a alternativa que descreve corretamente uma característica ou um fator de risco para essa doença.
Prematuridade + desconforto respiratório + RX com infiltrado reticulogranular e broncogramas = DMH.
A DMH decorre da deficiência de surfactante em prematuros, levando ao colapso alveolar e shunt intrapulmonar. O achado radiológico clássico é o padrão reticulogranular fino (vidro fosco).
A Doença da Membrana Hialina (DMH), ou Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) do tipo 1, é a patologia respiratória mais emblemática da neonatologia. Sua fisiopatologia baseia-se na imaturidade estrutural dos pulmões e, principalmente, na deficiência quantitativa e qualitativa de surfactante, substância produzida pelos pneumócitos tipo II que reduz a tensão superficial alveolar. Sem surfactante, os alvéolos colapsam ao final da expiração, resultando em atelectasia progressiva, redução da capacidade residual funcional e hipoxemia. Clinicamente, o RN apresenta sinais de desconforto (taquipneia, tiragens, batimento de asa de nariz e gemido expiratório) logo após o nascimento. O manejo envolve suporte ventilatório (preferencialmente não invasivo como o CPAP) e, em casos indicados, a reposição exógena de surfactante traqueal. O conhecimento dos padrões radiológicos e das medidas preventivas antenatais é essencial para reduzir a morbimortalidade neonatal em unidades de terapia intensiva.
O achado clássico na radiografia de tórax é o infiltrado reticulogranular difuso, frequentemente descrito como aspecto de 'vidro fosco' ou 'vidro moído'. Além disso, é comum a visualização de broncogramas aéreos que ultrapassam a silhueta cardíaca e uma redução do volume pulmonar (hipoinsuflação), refletindo a atelectasia generalizada por deficiência de surfactante.
A administração de corticosteroides antenatais (como betametasona ou dexametasona) para gestantes em risco de parto prematuro entre 24 e 34 semanas é a intervenção mais eficaz para reduzir a incidência e a gravidade da DMH. O corticoide acelera a diferenciação dos pneumócitos tipo II e a produção de surfactante, além de melhorar a complacência pulmonar do recém-nascido.
Além da prematuridade (principal fator), outros riscos incluem o diabetes materno (que atrasa a maturação pulmonar), gestações múltiplas, parto cesáreo sem trabalho de parto prévio, asfixia perinatal e ser do sexo masculino. O fator protetor mais importante é o estresse crônico intrauterino, que pode paradoxalmente acelerar a maturação pulmonar via liberação de cortisol endógeno.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo