UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020
Criança de 3 anos, apresentando febre há 3 dias, dificuldade ingesta de líquido e recusa alimentar. Há 2 dias evoluiu com lesões no corpo e vômitos esporádicos, mantendo picos febris. Nega internações pregressas. Ao exame: levemente irritada, hidratada, afebril. Erupção pápulo-vesicular eritematosa ovalada nas mãos e pés, incluindo as palmas e plantas. Cavidade oral com hiperemia, lesões aftosas e edema de tonsilas palatinas (amigdalas). Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Vesículas em mãos/pés + úlceras orais em pré-escolar = Doença Mão-Pé-Boca (Coxsackie A16).
A doença mão-pé-boca é causada por enterovírus, principalmente o Coxsackie A16, caracterizando-se por lesões vesiculares em extremidades e úlceras dolorosas na mucosa oral.
A doença mão-pé-boca é uma enterovirose comum em crianças menores de 5 anos, com picos de incidência no verão e outono. O quadro clínico inicia-se com febre baixa e mal-estar, seguidos pelo aparecimento de vesículas ovais com halo eritematoso em mãos, pés e região glútea. A presença de enantema oral (estomatite) é marcante e frequentemente causa recusa alimentar e irritabilidade. A fisiopatologia envolve a replicação viral inicial no tecido linfoide da faringe e do íleo, seguida de viremia secundária com tropismo específico pela pele e mucosas. O diagnóstico é clínico, baseado na anamnese e exame físico detalhado. O prognóstico é geralmente excelente, com resolução espontânea em 7 a 10 dias, exigindo do médico atenção especial apenas para sinais de complicações neurológicas ou desidratação grave.
O agente mais comum é o Coxsackievirus A16, pertencente à família Picornaviridae e ao gênero Enterovírus. Outros sorotipos, como o Enterovírus 71 (EV-71), também podem causar a doença e estão associados a complicações neurológicas mais graves, como meningite asséptica e encefalite. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral ou por secreções respiratórias, sendo altamente contagiosa em ambientes escolares. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na distribuição característica das lesões, e o isolamento viral ou testes moleculares como RT-PCR são reservados para casos atípicos ou graves com envolvimento do sistema nervoso central.
Ambas são causadas por Coxsackievirus, mas a herpangina caracteriza-se exclusivamente por lesões ulcerativas na orofaringe posterior, como pilares amigdalianos, palato mole e úvula, sem o exantema cutâneo associado. Na doença mão-pé-boca, as lesões orais costumam ser mais anteriores, envolvendo a língua e a mucosa bucal, e obrigatoriamente acompanham o exantema pápulo-vesicular nas extremidades, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. A distinção é importante para a orientação familiar, embora o manejo de ambas as condições seja focado no suporte clínico e controle da dor, já que ambas são autolimitadas e de etiologia viral semelhante.
O tratamento é eminentemente de suporte, focado no controle da dor e da febre com analgésicos e antitérmicos comuns, como paracetamol ou ibuprofeno. É crucial garantir a hidratação oral rigorosa, já que a odinofagia intensa causada pelas úlceras orais pode levar à desidratação, especialmente em lactentes e crianças pequenas. Não há indicação de antivirais específicos para casos não complicados. A prevenção baseia-se em medidas de higiene rigorosas, como lavagem das mãos e desinfecção de superfícies, além do afastamento social durante a fase aguda da doença para mitigar a propagação do vírus em comunidades escolares e domiciliares.
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