Doença do Manguito Rotador: Diagnóstico e Manejo

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 56 anos há 9 meses apresenta dor na região anterolateral dos ombros com piora ao abduzir e elevar os braços e limitação para carregar pesos. Nega trauma associado, parestesias ou paresia dos membros. AP: diabética, hipertensa, dislipidêmica em uso irregular de losartana 100 mg/dia, metformina 1000 mg/dia e sinvastatina 40 mg/dia. Exame físico: dor à manobra do arco doloroso com abdução dos braços a 80º, teste de Neer, Hawkins e Jobe positivos bilateralmente. O diagnóstico e a conduta são:

Alternativas

  1. A) polineuropatia periférica diabética; eletroneuromiografia, antidepressivos tricíclicos e anticonvulsivantes.
  2. B) cervicobraquialgia; TC de coluna cervical e eletroneuromiografia, AINE e fisioterapia.
  3. C) miopatia necrosante imunomediada induzida por estatina; dosar CPK e anticorpos, eletroneuromiografia, biópsia muscular, altas doses de prednisona.
  4. D) doença do manguito rotador; fisioterapia, AINE, orientação para não realizar movimentos acima do nível dos ombros e evitar sobrecarga.

Pérola Clínica

Dor anterolateral ombro, arco doloroso e testes de Neer/Hawkins/Jobe positivos → Doença do Manguito Rotador.

Resumo-Chave

A doença do manguito rotador é comum em pacientes de meia-idade/idosos, especialmente com fatores de risco metabólicos. A dor é tipicamente anterolateral, piora com elevação e abdução, e é bem caracterizada por testes específicos de impacto e força. O tratamento inicial é conservador.

Contexto Educacional

A doença do manguito rotador, ou síndrome do impacto do ombro, é uma condição musculoesquelética comum, especialmente em adultos de meia-idade e idosos, com prevalência aumentada em pacientes com comorbidades metabólicas como diabetes e dislipidemia. É uma causa frequente de dor e incapacidade funcional no ombro, sendo crucial para o residente reconhecer seus sinais e sintomas. A fisiopatologia envolve o atrito dos tendões do manguito rotador (principalmente o supraespinhal) contra o acrômio, levando à inflamação e degeneração. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de dor anterolateral do ombro, piora com movimentos específicos (abdução e elevação), e positividade em testes provocativos como o arco doloroso, Neer, Hawkins e Jobe. A ausência de sintomas neurológicos ajuda a descartar outras causas. O tratamento inicial é quase sempre conservador, visando aliviar a dor, restaurar a função e prevenir a progressão. Inclui fisioterapia com exercícios de fortalecimento e alongamento, uso de AINEs para controle da inflamação e dor, e modificação de atividades para evitar movimentos que exacerbam os sintomas, como elevação do braço acima do ombro e carregamento de pesos excessivos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da doença do manguito rotador?

Os principais sinais incluem dor na região anterolateral do ombro, piora com abdução e elevação do braço, limitação para carregar pesos e positividade em testes como o arco doloroso, Neer, Hawkins e Jobe.

Qual a conduta inicial para a doença do manguito rotador?

A conduta inicial é conservadora, envolvendo fisioterapia para fortalecimento e reabilitação, uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para controle da dor e orientação para evitar movimentos acima do nível dos ombros e sobrecarga.

Como diferenciar a doença do manguito rotador de outras causas de dor no ombro?

A diferenciação é feita pela história clínica (ausência de parestesias/paresia), exame físico com testes específicos positivos para o manguito rotador e exclusão de patologias cervicais ou neuropáticas que teriam outros achados.

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