FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Criança de 9 anos procura o ambulatório por dor no joelho direito, com dor à movimentação ativa e discreta alteração da pele. Ao exame, físico observa-se uma única grande região anular e eritematosa nas costas. Esta lesão já apareceu, desapareceu e migrou para outra região cerca de um mês antes da consulta. Sua mãe lembra que a criança foi picada por um pequeno carrapato em suas costas. Nega cefaleia, mal-estar e febre. Qual das seguintes afirmações é correta para o caso?
Eritema migrans + artrite + picada carrapato → Doença de Lyme. Investigar envolvimento cardíaco e neurológico.
O quadro clínico de eritema migrans (lesão anular e migratória), artrite (dor no joelho) e histórico de picada de carrapato é altamente sugestivo de Doença de Lyme. Esta doença, causada pela Borrelia burgdorferi, é sistêmica e pode evoluir para estágios tardios com envolvimento cardíaco (bloqueios atrioventriculares), neurológico (meningite, paralisia facial) e articular crônico, mesmo na ausência de sintomas sistêmicos iniciais como febre.
A Doença de Lyme é uma zoonose transmitida por carrapatos do gênero Ixodes, causada pela bactéria espiroqueta Borrelia burgdorferi. É a doença transmitida por vetor mais comum na América do Norte e Europa, com incidência crescente em algumas regiões. Em crianças, a apresentação clínica pode ser variada, mas o reconhecimento precoce é fundamental para prevenir complicações graves. O caso descrito, com eritema migrans (lesão anular, eritematosa e migratória), artrite no joelho e histórico de picada de carrapato, é altamente sugestivo de Doença de Lyme. O eritema migrans é a manifestação mais comum e patognomônica da fase precoce localizada. A ausência de febre ou mal-estar não exclui o diagnóstico, pois a doença pode ter um curso insidioso. A artrite de Lyme, geralmente monoarticular e de grandes articulações como o joelho, é uma manifestação comum da fase precoce disseminada ou tardia. É crucial que o médico esteja ciente de que a Doença de Lyme é uma doença sistêmica que pode afetar múltiplos órgãos. Além da pele e articulações, o envolvimento cardíaco (cardite de Lyme, com bloqueios atrioventriculares) e neurológico (meningite, paralisia de nervos cranianos, radiculoneuropatia) são complicações significativas que podem ocorrer em fases mais avançadas e devem ser ativamente investigadas. O tratamento com antibióticos (doxiciclina, amoxicilina ou cefuroxima) é eficaz, especialmente se iniciado precocemente, e é fundamental para erradicar a infecção e prevenir sequelas a longo prazo.
A Doença de Lyme tem três fases: fase precoce localizada (eritema migrans), fase precoce disseminada (múltiplos eritemas migrans, sintomas gripais, paralisia facial, cardite) e fase tardia (artrite de Lyme crônica, encefalopatia, polineuropatia).
O eritema migrans é uma lesão cutânea anular, eritematosa, que se expande centrifugamente, muitas vezes com clareamento central, e pode ser migratória. É patognomônica da Doença de Lyme e aparece dias a semanas após a picada do carrapato, sendo crucial para o diagnóstico precoce.
O tratamento da Doença de Lyme é feito com antibióticos, como doxiciclina (em crianças >8 anos), amoxicilina ou cefuroxima. A terapia é mais eficaz nas fases iniciais, prevenindo a progressão para complicações cardíacas e neurológicas. Mesmo em fases tardias, o antibiótico é essencial para erradicar a bactéria e melhorar os sintomas.
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