Doença de Lesões Mínimas: Achados na Biópsia Renal

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2020

Enunciado

Paciente de quatro anos, do sexo masculino, apresenta-se ao médico com edema facial. Foram encontrados 3,8 g de proteína na coleta de urina de 24 horas. Não havia sangue, glicose ou cetonas na urina, e o exame microscópico não mostrou cilindros nem cristais. A creatina sérica era normal. Ele foi submetido a um curso de terapia com corticosteroide e melhorou. Entretanto, teve mais dois episódios de proteinúria nos anos seguintes, e todos responderam ao tratamento com corticosteroides. O exame de uma biópsia renal ao microscópio óptico provavelmente revelará:

Alternativas

  1. A) glomérulos difusamente hipercelulares com membranas basais normais.
  2. B) celularidade normal e membranas basais normais.
  3. C) formação de crescente no espaço de Bowman.
  4. D) hipercelularidade difusa com aspecto de ""trilho de trem"" da membrana basal.

Pérola Clínica

SN pediátrica corticossensível, sem hematúria/hipertensão → Doença de Lesões Mínimas, MO normal.

Resumo-Chave

O quadro clínico de síndrome nefrótica em criança, com proteinúria isolada, sem hematúria, hipertensão ou insuficiência renal, e com boa resposta a corticosteroides, é altamente sugestivo de Doença de Lesões Mínimas (DLM). Na DLM, a biópsia renal sob microscopia óptica é tipicamente normal, sendo as alterações visíveis apenas na microscopia eletrônica (fusão dos podócitos).

Contexto Educacional

A Doença de Lesões Mínimas (DLM) é a causa mais comum de Síndrome Nefrótica (SN) em crianças, representando cerca de 80-90% dos casos em menores de 10 anos. É caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema, sem hematúria significativa, hipertensão ou insuficiência renal. A maioria dos pacientes com DLM apresenta boa resposta ao tratamento com corticosteroides, sendo classificados como corticossensíveis. A fisiopatologia da DLM envolve uma disfunção dos podócitos, as células epiteliais viscerais do glomérulo, que levam à perda da seletividade de carga e tamanho da barreira de filtração glomerular, resultando em proteinúria. No entanto, essas alterações são sutis e não visíveis à microscopia óptica. Na biópsia renal, o achado característico da DLM à microscopia óptica é a ausência de alterações significativas, com celularidade e membranas basais glomerulares normais. As alterações patognomônicas, como a fusão difusa dos processos podocitários, são observadas apenas à microscopia eletrônica. A biópsia renal geralmente é reservada para casos atípicos, como crianças muito jovens (<1 ano), adolescentes, presença de hematúria macroscópica, hipertensão persistente, insuficiência renal ou falta de resposta aos corticosteroides.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da Doença de Lesões Mínimas em crianças?

A Doença de Lesões Mínimas em crianças manifesta-se com edema (facial, periorbitário, membros inferiores), proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia, geralmente sem hematúria, hipertensão ou insuficiência renal.

Por que a microscopia óptica é normal na Doença de Lesões Mínimas?

A microscopia óptica é normal na Doença de Lesões Mínimas porque as alterações patognomônicas, como a fusão difusa dos processos podocitários, são sutis e visíveis apenas em nível ultraestrutural, pela microscopia eletrônica.

Quando a biópsia renal é indicada na Síndrome Nefrótica pediátrica?

A biópsia renal é indicada na Síndrome Nefrótica pediátrica em casos atípicos, como crianças muito jovens (<1 ano), adolescentes, presença de hematúria macroscópica, hipertensão persistente, insuficiência renal ou falta de resposta aos corticosteroides.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo