SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2020
Paciente de quatro anos, do sexo masculino, apresenta-se ao médico com edema facial. Foram encontrados 3,8 g de proteína na coleta de urina de 24 horas. Não havia sangue, glicose ou cetonas na urina, e o exame microscópico não mostrou cilindros nem cristais. A creatina sérica era normal. Ele foi submetido a um curso de terapia com corticosteroide e melhorou. Entretanto, teve mais dois episódios de proteinúria nos anos seguintes, e todos responderam ao tratamento com corticosteroides. O exame de uma biópsia renal ao microscópio óptico provavelmente revelará:
SN pediátrica corticossensível, sem hematúria/hipertensão → Doença de Lesões Mínimas, MO normal.
O quadro clínico de síndrome nefrótica em criança, com proteinúria isolada, sem hematúria, hipertensão ou insuficiência renal, e com boa resposta a corticosteroides, é altamente sugestivo de Doença de Lesões Mínimas (DLM). Na DLM, a biópsia renal sob microscopia óptica é tipicamente normal, sendo as alterações visíveis apenas na microscopia eletrônica (fusão dos podócitos).
A Doença de Lesões Mínimas (DLM) é a causa mais comum de Síndrome Nefrótica (SN) em crianças, representando cerca de 80-90% dos casos em menores de 10 anos. É caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema, sem hematúria significativa, hipertensão ou insuficiência renal. A maioria dos pacientes com DLM apresenta boa resposta ao tratamento com corticosteroides, sendo classificados como corticossensíveis. A fisiopatologia da DLM envolve uma disfunção dos podócitos, as células epiteliais viscerais do glomérulo, que levam à perda da seletividade de carga e tamanho da barreira de filtração glomerular, resultando em proteinúria. No entanto, essas alterações são sutis e não visíveis à microscopia óptica. Na biópsia renal, o achado característico da DLM à microscopia óptica é a ausência de alterações significativas, com celularidade e membranas basais glomerulares normais. As alterações patognomônicas, como a fusão difusa dos processos podocitários, são observadas apenas à microscopia eletrônica. A biópsia renal geralmente é reservada para casos atípicos, como crianças muito jovens (<1 ano), adolescentes, presença de hematúria macroscópica, hipertensão persistente, insuficiência renal ou falta de resposta aos corticosteroides.
A Doença de Lesões Mínimas em crianças manifesta-se com edema (facial, periorbitário, membros inferiores), proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia, geralmente sem hematúria, hipertensão ou insuficiência renal.
A microscopia óptica é normal na Doença de Lesões Mínimas porque as alterações patognomônicas, como a fusão difusa dos processos podocitários, são sutis e visíveis apenas em nível ultraestrutural, pela microscopia eletrônica.
A biópsia renal é indicada na Síndrome Nefrótica pediátrica em casos atípicos, como crianças muito jovens (<1 ano), adolescentes, presença de hematúria macroscópica, hipertensão persistente, insuficiência renal ou falta de resposta aos corticosteroides.
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