Síndrome Nefrótica na Infância: Epidemiologia e Diagnóstico

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Menina, 6 anos de idade, foi trazida à Emergência com "inchaço" no rosto há, aproximadamente, uma semana, que progrediu para as pernas e abdome. Refere cansaço e urina espumosa. Ao exame, apresenta edema periocular, em membros inferiores e ascite moderada. Exames laboratoriais mostram: Albumina sérica de 2,0 g/dL; Proteinúria de 4+; Colesterol total de 300 mg/dL; Ureia de 50 mg/dL; Creatinina de 0,7 mg/dL; PA: 90/60 mmHg. Considerando o caso clínico, em relação à epidemiologia do diagnóstico mais provável, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) É mais comum em meninos do que em meninas, entre 2 e 8 anos.
  2. B) É igualmente comum em meninos e meninas, em todas as idades.
  3. C) Ocorre apenas em crianças com doenças congênitas.
  4. D) Ocorre predominantemente em adolescentes.

Pérola Clínica

Edema + Proteinúria 4+ + Hipoalbuminemia em criança → Doença de Lesões Mínimas (DLM).

Resumo-Chave

A Doença de Lesões Mínimas é a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças, apresentando-se tipicamente entre 2 e 8 anos com predileção pelo sexo masculino.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica idiopática na infância é um tema recorrente em provas de residência, exigindo do candidato o conhecimento da Doença de Lesões Mínimas (DLM). A fisiopatologia envolve a fusão dos processos podocitários, resultando em perda da barreira de carga glomerular. Clinicamente, o edema é o sinal cardinal, muitas vezes confundido com alergias devido à localização periocular inicial. O diagnóstico é clínico-laboratorial, e a resposta dramática aos corticosteroides é uma característica marcante da DLM, embora recaídas sejam frequentes.

Perguntas Frequentes

Qual a faixa etária e o sexo mais acometidos na Doença de Lesões Mínimas?

A Doença de Lesões Mínimas (DLM) é a principal causa de síndrome nefrótica idiopática na infância, correspondendo a cerca de 80-90% dos casos em crianças pequenas. A faixa etária de maior incidência situa-se entre os 2 e 8 anos de idade. Quanto à distribuição por sexo, observa-se uma predominância nítida no sexo masculino, com uma proporção de aproximadamente 2 meninos para cada 1 menina. Após a puberdade e na idade adulta, essa diferença epidemiológica tende a desaparecer, tornando a incidência mais equilibrada entre os gêneros. O reconhecimento dessa epidemiologia é fundamental para a suspeição clínica inicial diante de um quadro de edema generalizado e proteinúria maciça.

Quais são os achados laboratoriais clássicos da Síndrome Nefrótica?

A síndrome nefrótica é definida por uma tétrade clássica decorrente da perda maciça de proteínas pela barreira de filtração glomerular. Os achados incluem: 1) Proteinúria de nível nefrótico (geralmente > 40 mg/m²/hora em crianças ou > 3,5 g/24h em adultos); 2) Hipoalbuminemia (albumina sérica < 2,5 - 3,0 g/dL); 3) Edema generalizado (anasarca), que se inicia em regiões de baixa pressão tecidual como pálpebras; e 4) Hiperlipidemia (aumento de colesterol e triglicerídeos) com lipidúria. No caso da DLM, a proteinúria costuma ser seletiva (predomínio de albumina) e a função renal, assim como os níveis de complemento e a pressão arterial, geralmente permanecem normais.

Quando indicar biópsia renal na síndrome nefrótica pediátrica?

Na maioria das crianças entre 1 e 10 anos com quadro clínico típico de síndrome nefrótica, a biópsia renal não é indicada inicialmente, pois a probabilidade de Doença de Lesões Mínimas é altíssima, justificando o tratamento empírico com corticoides. As indicações de biópsia incluem: idade < 1 ano ou > 10 anos (onde outras etiologias como GESF ou GNMP são mais comuns), presença de hematúria macroscópica persistente, hipocomplementemia, hipertensão arterial grave, insuficiência renal não explicada pela hipovolemia ou, mais comumente, a cortico-resistência (ausência de remissão após 4-8 semanas de corticoterapia).

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