Legg-Calvé-Perthes: Diagnóstico em Crianças com Dor no Quadril

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino de 5 anos apresenta dor moderada no quadril direito há 2 meses. A família notou diminuição progressiva da atividade da criança e piora dos sintomas neste período. Relata piora da dor aos movimentos e alívio ao repouso. Ao exame físico apresenta claudicação antálgica e limitação moderada dos movimentos do quadril direito pela dor. Não foram identificadas outras regiões dolorosas ou deformidades. Radiografias em anexo.Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Artrite séptica do quadril com osteomielite associada.
  2. B) Artrite reumatoide juvenil.
  3. C) Necrose idiopática da cabeça do fêmur (doença de Legg-Calvé-Perthes).
  4. D) Displasia epifisária múltipla.

Pérola Clínica

Menino < 10 anos + dor quadril insidiosa + claudicação + limitação de movimentos → Legg-Calvé-Perthes.

Resumo-Chave

Um menino de 5 anos com dor moderada no quadril direito há 2 meses, claudicação antálgica e limitação de movimentos, com piora aos movimentos e alívio ao repouso, é um quadro clássico da Doença de Legg-Calvé-Perthes. Esta é uma necrose avascular idiopática da cabeça do fêmur que afeta crianças, geralmente entre 4 e 8 anos, com predomínio no sexo masculino.

Contexto Educacional

A Doença de Legg-Calvé-Perthes é uma osteonecrose avascular idiopática da cabeça femoral pediátrica, resultando em necrose do osso subcondral e colapso da epífise. É uma condição importante na ortopedia pediátrica, com uma incidência maior em meninos entre 4 e 8 anos de idade. A etiologia exata é desconhecida, mas fatores como trombofilias, trauma e alterações vasculares são investigados. O reconhecimento precoce é crucial para o manejo, visando preservar a esfericidade da cabeça femoral e prevenir osteoartrose precoce. A fisiopatologia envolve a interrupção do suprimento sanguíneo para a epífise femoral, levando à morte celular óssea. O quadro clínico é caracterizado por dor no quadril, coxa ou joelho, claudicação antálgica e limitação dos movimentos do quadril, especialmente abdução e rotação interna. A evolução é insidiosa, com sintomas que pioram com a atividade e melhoram com o repouso. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico e confirmado por exames de imagem, como radiografias (que mostram esclerose, fragmentação e achatamento da epífise) e, em casos duvidosos, ressonância magnética. O tratamento da Doença de Legg-Calvé-Perthes é individualizado e depende da idade da criança, extensão da necrose e estágio da doença. O objetivo principal é manter a cabeça femoral contida dentro do acetábulo para que ela remodele em uma forma esférica. Isso pode ser alcançado com tratamento conservador (repouso, fisioterapia, órteses) ou cirúrgico (osteotomias para melhorar a cobertura da cabeça femoral). O prognóstico varia, mas a identificação precoce e o manejo adequado são fundamentais para um bom resultado funcional e para a prevenção de complicações a longo prazo, como a osteoartrose do quadril.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Doença de Legg-Calvé-Perthes?

Os principais sinais incluem dor no quadril (que pode irradiar para coxa ou joelho), claudicação antálgica, limitação da abdução e rotação interna do quadril, e atrofia muscular da coxa. Os sintomas geralmente se desenvolvem de forma insidiosa ao longo de semanas ou meses.

Qual a faixa etária mais comum para a Doença de Legg-Calvé-Perthes?

A Doença de Legg-Calvé-Perthes afeta predominantemente crianças em idade pré-escolar e escolar, geralmente entre 4 e 8 anos de idade, sendo mais comum em meninos. Casos fora dessa faixa etária são menos frequentes.

Como a radiografia auxilia no diagnóstico da Doença de Legg-Calvé-Perthes?

A radiografia do quadril é o exame inicial para o diagnóstico. Ela pode mostrar alterações como esclerose, fragmentação e achatamento da epífise femoral, bem como alargamento do espaço articular. Em fases iniciais, a ressonância magnética pode ser mais sensível para detectar alterações isquêmicas.

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