Doença de Kawasaki: Tratamento com Imunoglobulina e AAS

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Menino, 9 meses, é admitido com história de febre há 7 dias e irritabilidade. Exame físico: febril; muito irritado; taquicárdico; hiperemia conjuntival bilateral sem pus; lábios vermelhos; exantema maculopapular difuso. Exames laboratoriais: leucócitos = 18.000/mm³ (neutrófilos 78%); sódio = 130mEq/L; VHS = 70mm/h; proteína C-reativa (PCR) = 40mg/L; transaminase glutâmico pirúvica (TGP) = 60U/L; piúria ao EAS com bacterioscopia de urina sem evidência de formas microbianas. Pode-se afirmar que, nesse caso, o tratamento precoce deve ser iniciado com:

Alternativas

  1. A) antibioticoterapia venosa.
  2. B) anti-histamínico venoso.
  3. C) imunoglobulina humana venosa.
  4. D) agente antiviral venoso.

Pérola Clínica

Kawasaki: febre > 5 dias + critérios → IVIG + AAS para prevenir aneurismas coronarianos.

Resumo-Chave

O tratamento precoce da Doença de Kawasaki com imunoglobulina humana venosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS) é fundamental para reduzir a inflamação sistêmica e, crucialmente, prevenir a formação de aneurismas nas artérias coronárias, a complicação mais grave.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, cuja principal morbidade e mortalidade estão associadas ao desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são, portanto, de suma importância. A doença afeta predominantemente crianças pequenas e é caracterizada por febre prolongada e uma série de manifestações mucocutâneas e linfáticas. A fisiopatologia envolve uma resposta imune exacerbada que leva à inflamação e dano endotelial nos vasos sanguíneos, especialmente nas artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios específicos, e exames laboratoriais como leucocitose, VHS e PCR elevados, hiponatremia e elevação de transaminases podem corroborar a suspeita. A presença de piúria estéril também é um achado comum. O tratamento precoce, idealmente nos primeiros 7-10 dias de febre, é a chave para prevenir as complicações cardíacas. A terapia padrão ouro é a imunoglobulina humana venosa (IVIG) em dose única, que atua modulando a resposta imune e reduzindo a inflamação. O ácido acetilsalicílico (AAS) é administrado concomitantemente, inicialmente em dose anti-inflamatória e depois em dose antiagregante plaquetária, para prevenir a trombose nos vasos inflamados. Atrasos no tratamento aumentam o risco de aneurismas coronarianos, tornando a decisão terapêutica rápida e assertiva fundamental.

Perguntas Frequentes

Qual é o tratamento de primeira linha para a Doença de Kawasaki?

O tratamento de primeira linha para a Doença de Kawasaki consiste na administração de imunoglobulina humana venosa (IVIG) em dose única alta, associada ao ácido acetilsalicílico (AAS) em dose anti-inflamatória.

Por que a imunoglobulina intravenosa é crucial no tratamento da Doença de Kawasaki?

A IVIG é crucial porque modula a resposta imune sistêmica, reduzindo a inflamação e, consequentemente, diminuindo drasticamente o risco de desenvolvimento de aneurismas nas artérias coronárias, a complicação mais grave da doença.

Quais são os achados laboratoriais comuns na Doença de Kawasaki?

Achados laboratoriais incluem leucocitose com neutrofilia, elevação de marcadores inflamatórios como VHS e PCR, anemia, hipoalbuminemia e, por vezes, hiponatremia e elevação de transaminases.

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