MedEvo Simulado — Prova 2026
Um pré-escolar de 4 anos é levado à emergência com história de febre alta (39,5°C) há 6 dias, persistente e sem foco infeccioso aparente. Ao exame físico, o paciente apresenta-se extremamente irritado, com hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa e uma massa palpável em região cervical direita de aproximadamente 2 cm, dolorosa. As imagens A e B mostram detalhadamente as alterações observadas na cavidade oral e região perioral. Diante do quadro clínico e dos achados visíveis nas fotografias, qual é a principal hipótese diagnóstica e a complicação mais temida que deve ser rastreada precocemente através do ecocardiograma?
Febre ≥ 5 dias + 4 critérios (conjuntivite, oral, mãos/pés, exantema, linfonodo) = Kawasaki → Eco precoce.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite de médios vasos que exige diagnóstico clínico precoce para prevenir aneurismas coronarianos com o uso de imunoglobulina venosa.
A Doença de Kawasaki é a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças em países desenvolvidos. Trata-se de uma vasculite sistêmica idiopática que afeta predominantemente vasos de médio calibre. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na persistência da febre e sinais de inflamação mucocutânea. A irritabilidade extrema é um achado clínico muito frequente e característico. O maior risco reside na fase subaguda, onde a inflamação da parede vascular pode levar à formação de aneurismas coronarianos em até 25% dos pacientes não tratados. O tratamento precoce com imunoglobulina reduz esse risco para menos de 5%, evidenciando a necessidade de alta suspeição clínica em quadros febris prolongados sem foco.
O diagnóstico é clínico e requer febre por 5 dias ou mais associada a pelo menos 4 de 5 critérios: 1) Conjuntivite não purulenta bilateral; 2) Alterações orais (língua em morango, fissuras labiais, hiperemia de orofaringe); 3) Alterações em extremidades (edema, eritema ou descamação periungueal); 4) Exantema polimorfo; 5) Linfadenopatia cervical (geralmente unilateral e > 1,5 cm).
O ecocardiograma deve ser realizado assim que houver suspeita diagnóstica para avaliar a anatomia das artérias coronárias. Ele deve ser repetido em 1-2 semanas e novamente em 6-8 semanas após o início da doença para monitorar o desenvolvimento tardio de aneurismas, mesmo em pacientes que responderam bem ao tratamento inicial.
O tratamento consiste na administração de Imunoglobulina Intravenosa (IGIV) em dose única (2g/kg) preferencialmente até o 10º dia de febre, associada ao Ácido Acetilsalicílico (AAS). O AAS é usado inicialmente em doses anti-inflamatórias (80-100 mg/kg/dia) e, após a defervescência, mantido em dose antiagregante (3-5 mg/kg/dia).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo