INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Um menino de 4 anos de idade, previamente hígido e com acompanhamento pediátrico regular, chega ao pronto atendimento com queixa de febre (temperatura axilar superior a 38,5 °C em todos os picos) há 6 dias acompanhada de conjuntivite bilateral não exsudativa. Nega uso prévio de medicações nesses últimos dias, exceto o antitérmico habitual para controle da febre. Nega viagens recentes ou contato com indivíduos sabidamente doentes. Ao exame clínico, observa-se hiperemia de orofaringe sem exsudato ou ulcerações; presença de ressecamento, fissuras e hiperemia em lábios e proeminência das papilas linguais; gânglio cervical anterior a direita com cerca de 1,5 cm de diâmetro não doloroso; edema endurecido em dorso de mãos e pés com eritema palmar e plantar difuso; e presença de exantema polimórfico mais intenso em tronco e períneo. Sem outras alterações.Assinale a alternativa que contenha o diagnóstico provável para o caso apresentado e uma complicação associada ao quadro.
Febre >5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, boca/lábios, exantema, linfonodo, extremidades) → Doença de Kawasaki.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças. O diagnóstico é clínico e a suspeita precoce é crucial para prevenir complicações cardíacas graves, como aneurismas coronarianos.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância, sendo crucial o reconhecimento precoce para evitar sequelas graves. A doença é caracterizada por febre prolongada e uma constelação de achados mucocutâneos e linfonodais. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de febre por pelo menos 5 dias e a presença de quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orofaríngeas (hiperemia, fissuras labiais, língua em framboesa), exantema polimórfico, linfadenopatia cervical não supurativa e alterações de extremidades (edema e eritema de mãos e pés). A suspeita deve ser alta em crianças com febre persistente sem foco aparente. O tratamento padrão consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina, administrados idealmente nos primeiros 10 dias de doença para reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de aneurismas coronarianos, a complicação mais temida. O acompanhamento cardiológico é essencial para monitorar a função cardíaca e a presença de aneurismas.
Os critérios incluem febre por pelo menos 5 dias e a presença de 4 dos 5 achados clínicos: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orofaríngeas (lábios fissurados, língua em framboesa), exantema polimórfico, linfadenopatia cervical e alterações de extremidades (edema, eritema).
A principal complicação é o aneurisma de artéria coronariana. A prevenção se baseia no diagnóstico precoce e tratamento com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina, idealmente nos primeiros 10 dias de febre.
A diferenciação envolve a análise cuidadosa dos critérios clínicos e a exclusão de outras causas infecciosas ou inflamatórias. A febre prolongada e a combinação específica de achados mucocutâneos e linfonodais são distintivas.
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