Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Tratamento Essencial

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Lactente com 7 meses de vida está internado no CTI pediátrico, após apresentar quadro de febre há 1 semana, associado I edema facial, hiperemia labial e exantema morbiliforme. Ao exame físico, foi evidenciada presença de vasculite em 5ᵉ pododáctilo esquerdo. Os exames laboratoriais mostram VHS: 90mm/h, PCR: 10mg/dL, Plaquetas: 600.000, Leucócitos: 22.000, transaminases elevadas, hipoalbuminemia e anemia. Diante do caso acima, as melhores condutas incluem solicitar_________________ e iniciar tratamento com____________________

Alternativas

  1. A) ecocardiograma / Imunoglobulina.
  2. B) doppler de membros inferiores / antibioticoterapia de amplo espectro.
  3. C) tomografia de tórax e abdome / anticoagulantes.
  4. D) doppler de membros inferiores / antifúngicos.
  5. E) ecocardiograma / Acido Acetilsalicflico e Ibuprofeno.

Pérola Clínica

Doença de Kawasaki: febre >5d + 4/5 critérios clínicos → ecocardiograma + imunoglobulina IV + AAS.

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, sendo a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças. O diagnóstico é clínico, baseado em febre prolongada e critérios específicos, e a conduta inicial envolve ecocardiograma para avaliar aneurismas coronarianos e imunoglobulina intravenosa para reduzir a inflamação e prevenir complicações cardíacas.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de cardiopatia adquirida na infância em países desenvolvidos, sendo crucial seu reconhecimento precoce para prevenir complicações graves. A incidência varia globalmente, com maior prevalência na Ásia, mas é uma condição que todo residente deve estar apto a diagnosticar e manejar. O diagnóstico da Doença de Kawasaki é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e quatro dos cinco critérios clínicos principais: alterações de extremidades, exantema polimorfo, conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais e linfadenopatia cervical. Exames laboratoriais frequentemente revelam marcadores inflamatórios elevados (VHS, PCR), trombocitose na fase subaguda, anemia e transaminases elevadas. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada que afeta a parede dos vasos sanguíneos, especialmente as artérias coronárias. O tratamento padrão consiste na administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e ácido acetilsalicílico (AAS) em dose anti-inflamatória, seguido de dose antiagregante. A IVIG deve ser iniciada idealmente nos primeiros 10 dias de febre para reduzir o risco de aneurismas coronarianos. O ecocardiograma é essencial para o diagnóstico e acompanhamento das lesões coronarianas. O prognóstico é excelente com tratamento adequado, mas a não identificação e o atraso terapêutico podem levar a sequelas cardíacas permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por 5 ou mais dias, associada a pelo menos 4 dos 5 achados: alterações de extremidades, exantema, conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais e linfadenopatia cervical.

Por que o ecocardiograma é crucial na Doença de Kawasaki?

O ecocardiograma é fundamental para detectar e monitorar a formação de aneurismas das artérias coronárias, a complicação mais grave da doença, que pode levar a infarto do miocárdio e morte súbita.

Qual o papel da imunoglobulina intravenosa no tratamento da Doença de Kawasaki?

A imunoglobulina intravenosa (IVIG) é a terapia de primeira linha, administrada para reduzir a inflamação sistêmica e diminuir significativamente o risco de desenvolvimento de aneurismas coronarianos, especialmente se iniciada nos primeiros 10 dias de febre.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo